O tempo útil de jogo, o VAR ou a calendarização são temas que merecem ser analisados pelos intervenientes e dirigentes do futebol português, defende Sérgio Conceição. O treinador dos dragões deu como exemplo o jogo com o Sporting, do último sábado, para falar do tempo útil de jogo. 

«Penso que sim, é importantíssimo [falar sobre isso]. Não só a calendarização, mas o outro que falou. Em duas reuniões promovidas pela UEFA com os treinadores que estavam na Liga dos Campeões o tema principal foi o tempo útil de jogo. O VAR também foi discutido, partilhámos algumas ideias. Acho que foi o André Horta que disse. O Sp. Braga tem a sua razão, apanhou uma equipa de Liga dos Campeões que há uns anos criou-nos dificuldades incríveis. É um dos cinco principais clubes em Itália e está numa das cinco ligas mais competitivas do mundo. Joga-se a um ritmo acima da média, é tudo diferente», disse, introduzindo o tema antes de desenvolver o raciocínio. 

«Fui para casa sábado e revi o jogo. Eram quatro da manhã e estava a trocar mensagens com o Rui [assessor do FC Porto] porque queria que analisassem o tempo útil de jogo. Em cada dez, 15 ou 20 segundos, o jogo parava. Para meu espanto, de manhã, através de várias pesquisar percebemos que o tempo útil de jogo foram 48 minutos. É muito baixo. Falei aqui uma vez que se tivessem de dar 10 minutos, 12, davam e levei um processo por causa disso. Por acaso o marítimo foi jogar contra nós e houve mesmo 10 minutos de compensação e não é que levei um processo por causa disso? Porque acertei no tempo de compensação. Tem de ser ver o tempo de compensação que se tem de dar, não acredito que com três tempos de substituição para cada uma das equipas, cinco paragens, duas vezes que o árbitro foi ao banco, entradas das equipas médicas em campo, dá três minutos? Três minutos devia ser só pelas substituições.»

Por isso, o técnico portista defende que «tem de haver uma reflexão por parte de toda a gente», adiantando que haverá uma reunião esta quarta-feira de manhã com esse propósito. 

Em relação à calendarização, Conceição frisou que quem está nas provas da UEFA não se pode comparar com as restantes equipas da Liga. 

«Somos das equipas com mais jogos. A fase de grupos da Liga dos Campeões não é só as viagens, mas o grau de dificuldade é altíssimo. O desgaste é muito grande porque esses jogos requerem muita concentração. Queremos que o foco e a concentração competitiva seja a mesma nos jogos da Taça de Portugal, da Taça da Liga e do Campeonato. Temos tido uma densidade competitiva incrível, mas nunca me queixei de um resultado que fosse por causa do calendário. É difícil equipas como o Sp. Braga, Benfica e FC Porto compararem-se com as outras. Nunca me queixei. Temos um plantel apetrechado para dar resposta dentro dessas dificuldades. É impossível haver igualdade. Jogamos amanhã com o Sp. Braga e não terça-feira porque o Sp. Braga estava na Liga Europa. Sábado jogamos contra o Gil e terça-feira vamos a Turim. Sabe o que é igualdade? É ter o mesmo tempo de descanso e o mesmo número de jogadores em campo», concluiu. 

Vítor Maia / Olival, Vila Nova de Gaia