Petardos e alerta de ameaça de bomba na véspera de uma batalha quentinha e histórica em Roterdão. Estas são as memórias da única e última visita do FC Porto ao De Kuip, casa do Feyenoord.

Um episódio com 26 anos cheio de peripécias, mas com um final feliz.

«Foi uma eliminatória difícil num momento importante da história do FC Porto. Era um jogo que dava acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões e financeiramente era muito importante passar», lembrou Domingos Paciência ao Maisfutebol.

A versão do ex-avançado é corroborada por Jaime Magalhães, outra figura ilustre dessa equipa. «É difícil lembrar-me de todos os jogos (risos). Recordo-me que o Feyenoord era uma equipa muito forte, mas fizemos um jogo à nossa maneira e seguimos em frente.»

O agora técnico foi, aliás, o herói da eliminatória dos dragões. Domingos saltou do banco e anotou o golo que resolveu a eliminatória, no antigo estádio das Antas (1-0).

«A eliminatória ficou decidida com um golo aos 90+2. Foi um dos três melhores golos da minha carreira», recordou.

O resumo do jogo nas Antas:


Uma noite turbulenta

Em virtude do resultado e de algumas quezílias na primeira mão, o Feyenoord e as suas gentes procuraram criar um ambiente complicado ao FC Porto dentro e fora do relvado.  Fez, portanto, tudo para virar a eliminatória.

«Houve uma peripécia que me ficou na memória. Os adeptos do Feyenoord rebentaram petardos junto do nosso hotel para que não dormíssemos», contou Jaime Magalhães.

A convite do nosso jornal, Domingos completou a história. «Confusão junto ao hotel? Sim. Tentaram intimidar-nos. Ligaram madrugada para o presidente a dizer que havia uma bomba no hotel. O presidente não passou cartuxo nem disse nada à equipa. O jogo representava muito para as duas equipas e valia um pouco de tudo.»

FC Porto agarrado ao golo de Domingos

O croata Tomislav Ivic agarrou-se à magra e preciosa vantagem. Segurou-se tão firmemente que colocou quatro defesas centrais na equipa inicial que jogou em Roterdão. Não evitou o sofrimento, embora tenha assegurado a presença na fase de grupos.

«Ficou evidente a estratégia adotada pelo treinador. O objetivo era segurar o 1-0 e foi um sofrimento naquela banheira de Roterdão», rememora Domingos.

Substituído ao intervalo na partida no De Kuip, Jaime Magalhães enfatizou a estratégia defensiva dos azuis e brancos. «O treinador é que mandava, achou que era mais importante não sofrermos. Ao intervalo ainda colocou mais um médio defensivo, o Rui Filipe creio», completou.

Nem todos se lembrarão do duelo intenso, duro e nem sempre leal entre holandeses e portugueses. Ao mesmo tempo a partida não é a eliminar o que altera por completo o ambiente em torno da partida e n relvado.

«A banheira de Roterdão tinha um ambiente hostil com adeptos fervorosos. Agora os tempos são diferentes. O FC Porto está uns degraus acima do Feyenoord e tem equipa para ser superior», concluiu Domingos.

Nem sempre vale tudo para ganhar.

FICHA DE JOGO

FEYENOORD-FC PORTO, 3 de novembro de 1993

FEYENOORD: Ed de Goey, Ulrich van Gobbel, Errol Refos, Henk Fraser (80’ Gorré), John de Wolf, Regi Blinker; Rob Witschge Arnold Scholten (70’ Obiku); Rob Maas; John van Loen e Gaston Taument.

Treinador: Wim van Hanegem

FC PORTO: Vítor Baía, João Pinto, José Carlos, Jorge Costa, Fernando Couto, Aloísio, Secretário, Semedo, Jaime Magalhães (45’ Rui Filipe), Rui Jorge e Kostadinov (90’ Domingos).

Treinador: Ivic


 



 
Vítor Maia