Os jogadores, treinadores, árbitros ou dirigentes que já estiveram infetados com covid-19, e que entretanto foram dados oficialmente como recuperados, passaram a estar dispensados dos testes de rotina feitos periodicamente pelas equipas da Liga, e plenamente disponíveis para competir.

Isto porque é assumido que não existe evidências de risco de nova infeção, nem tão pouco o risco de contágio de outros elementos.

Esta alteração foi formalizada pela Direção Geral da Saúde (DGS), em parecer comunicado na passada sexta-feira, e resulta de um pedido da comissão de acompanhamento que junta Liga e Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

Este parecer até já era evocado na nota federativa que dava o árbitro Fábio Veríssimo como apto para regressar à competição, e que citava precisamente a DGS: «Um agente desportivo, seja ele árbitro, jogador ou membro do staff técnico, que tenha história passada de infeção por SARS-CoV-2, e depois tenha cumprido com os critérios de cura estabelecidos pela DGS, fica, a partir de agora, dispensado da repetição dos testes laboratoriais até ao final da presente época desportiva.»

Fábio Veríssimo foi testado positivamente à covid-19 no início de abril, e dado como recuperado um mês depois, mas em meados de junho voltou a testar positivo, motivo pelo qual acabou por ser novamente afastado das nomeações.

Uma situação idêntica à de Rafael Defendi: o guarda-redes do Famalicão esteve infetado com covid-19 logo em março, foi dado como recuperado ainda durante a suspensão da Liga e depois até jogou frente ao FC Porto, mas dias depois voltou a testar positivo. Inicialmente a Direção Geral da Saúde até deu indicação para jogar na mesma, mas depois acabou por decidir que era melhor ficar de fora, por prevenção.

Agora, de acordo com a nova norma, Fábio Veríssimo e Rafael Defendi nem sequer precisam ser testados.

«Quem já teve infeção e apresenta critérios de cura clínica e cura microbiológica, não tem risco de reinfeção. Os exames positivos de PCR (ndr. teste da zaragatoa) referem-se a restos virais não viáveis e não patológicos. Não são contagiosos», explica Filipe Froes, médico pneumologista e consultor da Liga.

«Foi concluído que não havia evidência de nova infeção, apenas atraso na eliminação de restos virais, não viáveis e não contagiosos», acrescenta ainda, em declarações ao Maisfutebol.

Os testes positivos terão sido provocados por vestígios da infeção anteriormente diagnosticada, e não por uma nova infeção, algo que a nova norma nem sequer contempla.

Mas tal como Filipe Froes faz questão de realçar, não existe aqui qualquer regime de exceção para o futebol: «Foi adaptado à retoma da Liga aquilo que já estava a ser seguido noutro contexto há algumas semanas.»

Para defender que fosse seguido este procedimento, a comissão de acompanhamento que junta Liga e FPF até se baseou na norma 013/2020 da DGS, que dá orientações para a «retoma da atividade assistencial – cirurgia eletiva».

Um documento publicado originalmente a 10 de junho, mas atualizado no passado dia 23, que define as regras para o regresso das cirurgias agendadas.

No ponto 12, a referida norma diz precisamente que «estão dispensados da realização do teste laboratorial (…) todos os utentes assintomáticos com história de infeção passada por SARS-CoV-2 que tenham cumprido os critérios de cura estabelecidos na Norma 004/2020 da DGS (no caso de pessoas sintomáticas) ou na Norma 010/2020 da DGS (no caso de pessoas assintomáticas)».

Quer isto dizer que, mesmo em contexto hospitalar, a DGS já está a seguir um procedimento que parte do pressuposto de que não existe risco de segunda infeção ou mesmo de contágio por parte de alguém que já foi dada como curada. Uma norma agora adaptada ao futebol.

Nuno Travassos