Um dos três membros da ETA detidos na segunda-feira no sul de França, José Antonio Aranibar Almandoz, é considerado um dos responsáveis das «acções especiais» conduzidas pela organização basca a partir de França, segundo o Ministério do Interior espanhol.

Os outros dois detidos são Ekaitz Agirre Goñi - procurado desde a operação de Março último que desarticulou o novo comando Donosti da organização basca ETA - e Ángel Cardaño Reoyo.

Aranibar e os outros dois membros da ETA foram detidos numa operação conjunta da polícia francesa e da Guarda Civil espanhola, na zona de Saint Jean de Pied-de-Port, no País Basco francês.

Os detidos viajavam numa carrinha com 165 quilos de explosivos, armas de fogo, uma G-3, um rolo de cordão detonante, uma G-3, dois detonadores e garrafas de gás.

Hoje de manhã foram detidos dois outros alegados membros da ETA, ainda não identificados, num controlo policial nos arredores de Paris, confirmaram as autoridades espanholas.

No que se refere aos três detidos na segunda-feira, o governo espanhol considera que Aranibar, que estava em paradeiro incerto desde 2003, poderá ter estado envolvido na preparação do atentado de Dezembro do ano passado no aeroporto de Madrid, que causou dois mortos.

A polícia suspeita que a carrinha tinha como destino Espanha e que os três etarras iam entregar o veículo a outros membros da ETA que integravam um comando disposto a entrar em Espanha.

É a segunda vez numa semana que é encontrada uma carrinha com explosivos da ETA, depois de ter sido localizada, na semana passada, uma outra com matrículas portuguesas, próximo de Ayamonte.

As detenções das últimas 24 horas elevam para onze o número de alegados membros da ETA detidos desde o passado dia 05 de Junho, quando a ETA anunciou em comunicado o fim do cessar-fogo declarado no início de 2006.

No seu discurso inaugural do debate da nação, que hoje começou em Madrid sob fortes medidas de segurança, o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, excluiu qualquer possibilidade de diálogo com a ETA.

«Não há qualquer via para o diálogo» com a ETA nem «margem para o tentar», afirmou José Luis Rodriguez Zapatero perante o Congresso de Deputados, assegurando que a resposta do governo às ameaças da organização separatista basca será «implacável».

Na intervenção, Zapatero renovou os apelos a todas as forças políticas para que mantenham a «unidade» face à ameaça terrorista.

O primeiro-ministro disse que os terroristas têm que saber que nunca poderão vergar essa unidade das forças políticas, uma unidade «necessária» para resistir às «ameaças, defender a vontade democrática de viver em paz e em liberdade e de negar qualquer preço político ao fim da violência».