Fumo branco em Bruxelas: a alemã Ursula Von Der Leyen, do PPE, é a candidata a presidente da Comissão Europeia e a francesa Christine Lagarde para o BCE. Os nomes foram anunciados ao final da tarde desta terça-feira, tendo sido Donald Tusk, que preside atualmente ao Conselho Europeu, a anunciar que tinha sido alcançado um acordo na cimeira.

O compromisso alcançado ao fim de uma ‘maratona’ negocial, que se prolongou em Bruxelas ao longo de três dias, desde as 18:00 de domingo (menos uma hora em Lisboa), contempla ainda a nomeação do primeiro-ministro belga em funções, o liberal Charles Michel, para a presidência do Conselho Europeu, do ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, o socialista Josep Borrell, como Alto Representante da UE para a Política Externa e ainda da francesa Christine Lagarde para o Banco Central Europeu - a primeira mulher a liderar o BCE. Lagarde, foi entretanto anunciado, abandonará "temporariamente" a direção-geral do FMI.

Com a designação de Ursula von der Leyen, ministra alemã da Defesa e muito próxima da chanceler Angela Merkel, o PPE, que presidiu à Comissão ao longo dos últimos 15 anos e que venceu as eleições europeias de maio, retém assim o mais ‘desejado’ dos cargos em negociação, que pela primeira vez será ocupado por uma mulher.

Ursula Von der Leyen é considerada o braço-direito de Angela Merkel : em 2010, foi eleita vice-presidente da CDU e foi vista durante muitos anos como a possível sucessora da chanceler alemã. Assumiu a pasta da Defesa em 2013, é licenciada em medicina e tem sete filhos. 

O primeiro-ministro belga em funções, o liberal Charles Michel, considerou uma tarefa de “grande responsabilidade” a sua designação para a presidência do Conselho Europeu e definiu como objetivo do mandato uma “Europa unida com respeito pela diversidade nacional”.

Ser apontado para presidente do Conselho Europeu é uma grande responsabilidade e uma tarefa que vou cumprir com empenho. O meu objetivo consiste numa Europa unida com respeito pela diversidade nacional. Solidariedade, liberdade e respeito mútuo são o cerne da União Europeia. Vou defender estes valores”, referiu em mensagem na sua conta na rede social Twitter.

O primeiro-ministro António Costa mostrou-se  preocupado com a permeabilidade do Partido Popular Europeu “ao canto de sereia” de Matteo Salvini e do grupo de Visegrado, assumindo esperar que o compromisso hoje alcançado reforce Angela Merkel. Costa assumiu ainda que foi convidado para cargos de topo em Bruxelas, garantindo que não aceitou porque está dedicado à governação em Portugal.

Em conferência de imprensa, após a conclusão do Conselho Europeu, António Costa reconheceu que a dificuldade sentida pelos líderes do 28 para fechar a negociação sobre o ‘pacote’ das nomeações para os altos cargos da União Europeia “seguramente não é bom sinal”, e revelou a sua apreensão com os efeitos do “canto de sereia” de Salvini, ministro do Interior de Itália, e do grupo constituído por Hungria, Polónia, República Checa e Eslováquia.

O que acho que é verdadeiramente mais preocupante naquilo que aconteceu ao longo destes dias é constatar a fragmentação interna numa das grandes famílias políticas e a sua fragilidade e permeabilidade à pressão de minorias de bloqueio. Isso é mesmo o fator mais preocupante para o futuro da Europa. Espero que esta solução tenha, pelo menos, o mérito de reforçar quem nessa família política, ao longo de mais de uma década, tem assegurado a capacidade de ser um motor positivo na construção do projeto europeu”, disse, referindo-se à chanceler alemã, Angela Merkel.