Paulo Portas afirmou que Mário Centeno desistiu de ir a votos na disputa pela candidatura europeia à liderança do Fundo Monetário Internacional (FMI) porque "percebeu que não tinha condições nem para ser primeiro nem segundo" e que "teria uma dificuldade suplementar" porque "os Estados Unidos torceriam o nariz" ao seu nome. A análise de Portas foi feitas este domingo, no seu espaço de comentário semanal no Jornal das 8 da TVI, "Global".

Mário Centeno percebeu que não tinha condições nem para ser primeiro nem segundo e que teria uma dificuldade suplementar porque a mim me parece que os EUA torceriam o nariz", vincou o comentador. 

O comentador disse que o ministro das Finanças português "teve um pouco excesso de autoconfiança e não terá medido bem senão mesmo no fim as alterações que tinham ocorrido".

Quando vi a Dra. Kristalina Georgieva entrar achei que a vida do Dr. Mário Centeno estava mais diculutada. Tenho a sensação de que ele até ao fim teve um pouco excesso de autoconfiança e não terá medido bem, senão mesmo no fim, as alterações que tinham ocorrido."

"O FMI parece europeu, mas não, é global e os países emergentes não gostam desta ideia de que é sempre um europeu a liderar o FMI. A senhora Georgieva é europeia, mas é de um país que não é do euro, é da Bulgária", acrescentou.

No seu espaço de comentário semanal, Portas falou ainda sobre os tiroteios que abalaram este fim de semana os Estados Unidos, considerando que evitar situações violentas seria mais "relevante e humanista" do que a aplicação de penas pesadas como a pena de morte.

Os EUA são o país mais criativo do mundo e esse é o lado bom e são também um dos países mais violentos do mundo. (...) Uma pessoa pode comprar armas de forma incondicional para matar o seu vizinho. Por outro, as autoridades costumam levar estas pessoas à pena de morte e à sua execuação. Talvez tentar evitar que as coisas aconteçam seja mais relevante e mais humanista.“

Ainda em relação aos EUA, as eleições presidenciais norte-americanas foram outro dos temas abordados. Para Portas, o democrata Joe Biden e ex-vice de Barack Obama "é o candidato mais perigoso para Donald Trump".

O comentador da TVI também falou sobre  a atualização que a revista Fortune fez ao ranking das 500 empresas globais maiores do mundo.

Pela primeira vez desde que existe o ranking há mais empresas chinesas nas 500 maiores do que americanas", notou.

O acordo de paz assinado em Moçambique entre a Frelimo e a Renamo, que ficou marcado pelo "abraço" entre o presidente moçambicano, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Ossufo Momade foi outro dos assuntos em destaque este domingo.

Portas também aproveitou o seu espaço de comentário para deixar uma sugestão aos empresários portugueses:

A maioria das pessoas acha que nós só temos um vizinho que é a Espanha. Mas Portugal tem dois vizinhos: tem uma fronteira terrestre com a Espanha e tem uma fronteia marítima. O primeiro amigo que temos depois do mar é Marrocos , que é o pais mais estável do Magreb, é a potencia ascendente da África Ocidental, voltou à União Africana consagradamente e o reinado de Mohamed VI foi muito reformador. Eu chamaria a atenção dos empresários portugueses: olhem para o vizinho do sul", sublinhou.