O analista do ING Financial, Javier Borrachero, disse à Agência Financeira que «a capacidade da PT crescer no mercado europeu é muito limitada porque se tratam de compras de valores muito elevados».

Para o responsável, para além do negócio interno, a PT deverá continuar a apostar no Brasil e em África. Sobre o primeiro, o analista acredita que será um negócio para manter apesar das pressões a que a Vivo está sujeita em termos de concorrência. O Brasil representa uma boa parte da facturação do grupo português e, para Javier Borrachero, o que, possivelmente, acabará por acontecer é «a compra de posições minoritárias para poderem ter mais capacidade de decisão».

Uma posição que não é partilhada por todos. Um outro analista, que preferiu não ser identificado, disse que não veria com maus olhos se a PT acabasse por vender o negócio do Brasil, «até porque ficaria com mais cash disponível para avançar para compras», por exemplo em África.

Para o JP Morgan, a PT «continua a manter o foco no investimento doméstico e no negócio móvel no Brasil e diz que todas as fusões e aquisições serão analisadas em função do benefício em termos de retorno de capital». Além disso, o JP Morgan refere que uma «nova contribuição para o fundo de pensões deverá alocar a maioria do cash flow deste ano».

Recentemente, o administrador financeiro da PT, Zeinal Bava, disse que a empresa tinha um buraco no fundo de pensões de 2,5 mil milhões de euros e que, de resto, esse era um dos grandes desafios do grupo nos próximos tempos

Recorde-se que a PT está a concorrer às compras de 35% do capital da Tunisie Telecom. Caso vença, a PT já admitiu a aproximação à Telefónica, sendo que o recíproco também é verdadeiro.

O analista do ING Financial, referiu que este ano a empresa deverá ficar apenas com cerca de 400 milhões libertos para aquisições e fusões, descontando já o valor que pode ser transferido para o fundo de pensões e a remuneração dos accionistas. Contudo, a empresa poderá sempre recorrer ao endividamento, já de si elevado, para se lançar no mercado internacional. Esta medida não é, no entanto, muito bem vista pelos analistas já que a relação custo/ganho será sempre marginal dada a reduzida margem financeira de que dispõem actualmente, que só permite aquisições de reduzida dimensão. Outro factor a ter em consideração prende-se com o mercado brasileiro, que tem vindo a consumir demasiados dólares americanos, e que sendo uma aposta do grupo, deverá continuar a liderar os gastos, levando a uma ainda maior despesa financeira.

Mexidas nas telecomunicações movimentam mais de 100 mil milhões

A Swisscom disse, recentemente, que quer ir às compras na Europa e não afasta a hipótese de olhar para a Portugal Telecom. A operadora suíça perdeu, este ano, para a Telefónica, a compra de 51% da operadora checa, Cesky Telecom. Isto depois de lhe ter sido vetada a hipótese de compra da Telekom Áustria.

E de facto, os cenários de fusões ou aquisições no mercado das telecomunicações na Europa, não ficam por aqui. Outra das empresas que tem estado no centro das atenções é a espanhola Telefónica. Não só porque tem vindo a crescer no mercado europeu, mas também porque têm sido várias as casas de investimento internacionais a defender que faria todo o sentido a Telefónica avançar para compras em Portugal e na Grécia. Isto em detrimento de outros mercados, como por exemplo, o holandês, no qual a operadora espanhola, supostamente, terá feito uma oferta de cerca de 20 mil milhões pela KPN. O que é certo é que já esta semana a operadora espanhola anunciou a intenção de adquirir a britânica O2 por mais de 26 mil milhões de euros.

Os analistas estimam que as cinco maiores operadoras de telecomunicações da Europa, Deutsche Telekom, France Telecom, Telecom Italia, Telefónica e Vodafone, podem gastar perto de 100 mil milhões de euros nos próximos dois anos sem afectar o perfil da dívida.
Alda Martins