Estávamos em novembro de 2020 quando os dados finais da terceira fase do desenvolvimento das vacinas da Pfizer/BioNTech e Moderna vieram a público com taxas de eficácia superiores a 90%. 

Estes valores foram surpreendentes e devem-se ao uso da tecnologia de RNA mensageiro (mRNA), que vem a ser estudada nas últimas décadas em países como os Estados Unidos da América, Bélgica ou Israel. 

Esta tecnologia, revelou-se mais veloz e flexível do que os métodos tradicionais e com a chegada da covid-19 às nossas vidas teve o investimento e atenção necessárias para ser desenvolvida em grande escala. Os cientistas já chamavam a atenção para esta tecnologia nos últimos anos, mas só agora, com a necessidade de ter uma vacina para combater a pandemia, é que as farmacêuticas criaram a capacidade para produzir milhares de milhões de doses, de forma testada e segura. 

Este nível de segurança e escala de produção chegam a valores que poderiam [sem a necessidade de obter uma vacina contra a covid-19 com urgência] ter levado anos a serem atingidos", afirma Lynda Stuart, vice-diretora da área da vacinação na 'Fundação Gates' à Wired.

Mas os usos desta tecnologia não se esgotam na covid-19. Enquanto o mundo está concentrado no combate à pandemia, a corrida para a próxima geração de vacinas contra as mais variadas doenças revela-se feroz e movimenta centenas de milhões de euros. 

A Moderna e a BioNTech já têm, cada uma, nove candidaturas de vacinas contra várias doenças em desenvolvimento e testes clínicos iniciais. Desde vacinas contra a gripe, até ao HIV, herpes, dengue e malária. As possibilidades são infinitas. 

A corrida ao "ouro" já levou estas duas farmacêuticas a investirem milhões em pequenas empresas especializadas em mRNa. 

A Sanofi pagou cerca de 350 milhões por uma parceria com uma pequena empresa americanca especializada em biotecnologia de mRNA chamada Translate Bio. Já a GSK investiu 241 milhões na alemã CureVac. 

Esta tecnologia poderá, no futuro, ser também uma grande aliada no combate a vários tipos de cancro e tumores.

Redação