O Benfica ganhou novo fôlego na luta pelo segundo lugar da Superliga, com uma vitória frente a um Belenenses que bem pode maldizer a sorte, numa noite em que teve que substituir três jogadores por lesão até ao ínicio da segunda parte. Rotinados, tranquilos, os «encarnados» venceram por 2-0 e já estão a apenas dois pontos do Sporting, que tinha empatado na véspera, a uma semana do clássico com o líder F.C. Porto, a nove pontos.

Do lado do Belenenses adivinhavam-se mudanças, ninguém imaginava é que fossem tantas e menos ainda as razões por que seriam. Recém-chegado, Inácio foi presenteado com nada menos que oito reforços de Inverno e tem ainda para explorar as potencialidades dos jogadores que já estavam no Restelo. Mas por muito reforçada que esteja, não há equipa que resista a uma série de contrariedades como a que aconteceu esta noite ao Belenenses. 

Com cinco reforços à disposição, o treinador do Belenenses colocou dois deles em campo, Hugo Henrique ao lado de Antchouet na frente, apoiados por Neca, e Paulo Sérgio a fazer dupla com Wilson no centro da defesa. E deu ainda a titularidade ao jovem médio Ruben Amorim, no lado direito de um meio-campo que contava ainda com Tuck e Pele. Nas laterais, Sousa e um adaptado Marco Paulo.

Camacho não mexeu mais uma vez na equipa do Benfica, repetindo pela terceira vez seguida um onze com Armando no lado esquerdo da defesa, Argel e Ricardo Rocha ao centro, Miguel do lado direito, Petit e Tiago no meio-campo, nas alas João Pereira e Simão, ao centro Zahovic a apoiar Sokota.

A primeira equipa de Inácio, chamemos-lhes assim, até mostrou potencial. Nos primeiros minutos os azuis surpreenderam o Benfica com passes longos que resultaram em boas oportunidades. Logo aos dois minutos Wilson isolou Antchouet, mas o avançado perdeu tempo e foi desarmado. Quatro minutos mais tarde foi Tuck quem lançou Hugo Henrique, com Ricardo Rocha a afastar o perigo.

Começa pouco depois a sucessão de azares para o lado do Belenenses, a coincidir no tempo com o início da resposta do Benfica. Pelé lesionou-se aos nove minutos, com queixas no braço, e estava a ser assistido quando João Pereira chegou perto, muito perto do golo, num remate que viu a bola bater no poste, na trave e não entrar.

Pelé acabou mesmo por sair, começava a dança de posições no Belenenses. Emerson, outro reforço, entrou para o centro da defesa. Subiu Paulo Sérgio, que se lesionou 14 minutos mais tarde, com queixas no joelho. Nova alteração, desta vez subiu Marco Paulo e entrou o jovem Gonçalo Brandão para lateral-esquerdo.

Pelo meio o Benfica assumia o domínio do jogo, ainda que sem conseguir criar grande pressão junto da baliza do Belenenses. O jogo enrolava-se numa teia de marcações misturada com alguma falta de inspiração daqueles que se esperava fossem os jogadores mais criativos.

Olha¿ o Armando!

O Benfica procurava com frequência recuar para tentar assentar jogo e começar de trás jogadas melhor estruturadas, Simão teve duas oportunidades mas não conseguiu marcar, João Pereira também voltava a tentar a sorte. No Belenenses Neca não conseguia libertar-se do cerco de Petit, mas ainda assim há a registar antes do intervalo uma bicicleta de Antchouet em que a bola passou ao lado, mas que fica sempre bem na fotografia.

Ainda não estava escrito o ponto de final no rol de infortúnios do Belenenses. Emerson, que esteve em bom plano e complicou a vida a Sokota, regressou lesionado aos balneários e já não voltou. Inácio aproveitou para colocar em campo outro jovem do Belenenses, Fábio Rosa, tendo de caminho que mudar de novo a táctica. Marco Paulo voltou ao lado esquerdo da defesa, Gonçalo Brandão foi para central, Fábio Rosa para o meio.

O Benfica entrou pressionante na segunda parte. E num jogo em que a bola parecia andar arredada da baliza o golo nasceu dos pés de quem menos se esperava. Aos 53 minutos, Armando faz uma grande abertura para Sokota, que não falha. O lateral-esquerdo, depois de uma primeira parte de desacerto, fazia o passe decisivo.

Mas não se ficou por aqui Armando. Aos 67m, recebe a bola de Simão, descobre João Pereira na direita e cruza para o nº 47 fazer o golo da tranquilidade do Benfica. A equipa caiu sobre Armando, felicitando o lateral que até é¿ genro de Inácio. Nem com a família pôde contar esta noite, o treinador do Belenenses.

Estava resolvido o jogo, o Belenenses não encontrou mais forças para reagir. Esteve mais perto do terceiro o Benfica, numa jogada entre Simão e Sokota que foi a melhor da partida e em que Marco Aurélio negou o golo ao nº 20. Camacho aproveitou depois para fazer alterações e ainda estreou em campo o jovem Manuel Fernandes.

Os adeptos do Benfica acabaram o jogo a cantar vivas à equipa e a Camacho, sem esquecer Fehér, o nº 29 que estará sempre nas memórias dos «encarnados». O Belenenses continua sem vencer com Inácio, ao fim de três jogos. Depois da derrota com o Sporting marcada por expulsões e de um empate em Leiria, o técnico teve mais uma falsa partida. Para quem quiser ver a coisa pelo lado positivo, o jogo confirmou que o técnico tem de facto muitas opções de escolha, ainda não conseguiu foi ver como funcionam.