Os secretários-gerais do PCP, Jerónimo de Sousa, e da CGTP, Arménio Carlos, juntaram-se este sábado a uma manifestação do Movimento Democrático de Mulheres (MDM), na baixa de Lisboa, em defesa de maior igualdade de direitos.

Em declarações aos jornalistas, Jerónimo de Sousa considerou que, "de há duas décadas para cá, esta foi sem dúvida a maior manifestação de mulheres organizada pelo MDM", o que contraria a ideia de que "os portugueses já não lutam nesta nova fase da vida política nacional".

Segundo o secretário-geral do PCP, "as mulheres têm fortes razões para continuar a sua luta, porque avançou-se com o 25 de Abril, é verdade, mas ainda continua a haver muita e muita situação inaceitável".

Continua a ser sistemático as mulheres discriminadas em função do salário, dos direitos. Começa logo aí a raiz das injustiças e das desigualdades. É necessário vencer preconceitos que continuam a existir na sociedade portuguesa", defendeu.

Questionado sobre a atual participação das mulheres na vida político-partidária, Jerónimo de Sousa respondeu que, "infelizmente, essas condições e essas dificuldades levantam obstáculos que impedem, de facto, a sua plena participação".

Mas este é um problema de fundo com que somos confrontados, incluindo, na vida partidária. Bem gostaríamos nós de ter mais e mais mulheres a participarem, a intervirem, a lutarem pelo seu futuro e pelo futuro dos outros", afirmou.

O secretário-geral do PCP recordou os seus tempos de dirigente sindical, há mais de 40 anos.

A primeira medida que tomámos no contrato coletivo dos metalúrgicos foi revogar uma cláusula maldita, em que as mulheres receberiam sempre menos 10% do que os homens. Conseguimos isso", relatou, acrescentando que "hoje, infelizmente, essa realidade está mais generalizada do que muita gente pensa".

Interrogado sobre a divisão de tarefas domésticas entre mulheres e homens, declarou: "Eu próprio reconheço que existe um défice da minha parte, por razões da atividade intensa que tenho. Mas, pelo menos sempre que posso, no concreto, na prática, procuro combater esse défice".

Jerónimo de Sousa juntou-se a esta manifestação do MDM na parte final do trajeto, na Rua do Ouro, perto do Terreiro do Paço, juntamente com outros dirigentes do PCP, incluindo o candidato da CDU (PCP/PEV) à Câmara Municipal de Lisboa, João Ferreira.

Os dois foram saudados por muitas pessoas que seguiam na manifestação, algumas das quais suas conhecidas, e viram passar a deputada do PCP Rita Rato, que segurava uma faixa onde se lia: "Cumprir os direitos das mulheres. Igualdade na vida. Portugal mais justo e soberano".

Os manifestantes, mulheres e homens, com setores compostos por jovens e por reformados, partiram do Rossio e erguiam faixas com lemas diversos: "Contra o tráfico de mulheres", reclamando "Um hospital público em Sintra" ou defendendo que "A prostituição não é uma opção, é exploração!".

Havia um cartaz de "Mulheres alentejanas pela defesa da água pública" e noutros lia-se "Basta de precariedade" e "Tempo para trabalhar, tempo para participar, tempo para a família".

Ouviram-se palavras de ordem como "somos muitos, muitos mil para continuar Abril" e "a luta continua, o povo está na rua", e também "as mulheres estão na rua, a luta continua".

Arménio Carlos compareceu igualmente na Rua do Ouro, expressando "solidariedade da CGTP à luta das mulheres trabalhadores e à luta das mulheres portuguesas", e defendendo que "uma boa medida para combater as desigualdades é rever as normas gravosas da legislação laboral".

"Não há uma democracia na sua total plenitude sem igualdade de direitos entre mulheres e homens", afirmou o secretário-geral da CGTP, para quem a desigualdade de tratamento no trabalho constitui uma pressão para que haja "diretos nivelados por baixo".

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