Joshua Spriestersbach, de 50 anos, viveu uma experiência traumática por mais de dois anos. 

Nem a polícia, nem advogados, juizes ou médicos o conseguiram ajudar. Aliás, foram eles que cometeram um erro que custou dois anos e uns meses a um inocente, num hospital psiquiátrico.

Spriestersbach, em maio de 2017, adormeceu numa rua enquanto esperava por comida no centro de abrigo em Honolulu e foi acordado por um polícia que o transportou de imediato para a esquadra. Achava Joshua que estava a ser transportado por violar alguma lei ao deitar-se num local público. 

Na verdade, Joshua Spriestersbach estava a ser preso em nome de outra pessoa. 

A polícia achava que estava a deter o homem Thomas Castleberry, que tinha um mandado de captura por violar a liberdade condicional, num caso que envolvia tráfico de drogas em 2006. 

Este foi o primeiro passo que levou a que Spriestersbach passasse quase três anos da sua vida, num hospital psiquiátrico, a cumprir uma pena de um crime que não cometeu, de acordo com uma petição de 36 páginas agora conhecida, apresentada na segunda-feira por um projeto que defende inocentes, no Hawaii. 

Relata a petição que, enquanto esteve preso, os médicos administraram-lhe medicamentos fortes, sendo que os juízes acharam que não estava em condições para ir a tribunal e os advogados ignoraram as provas que tinham em sua posse e que comprovavam que a polícia estava, de facto, enganada.

Todos os envolvidos no processo "e a maneira como falharam no seu trabalho, custaram a Mr. Spriestersbach, quase três anos da sua vida, a pagar por um crime que nunca cometeu por uma pessoa que nunca conheceu", diz a advogada da petição que defende inocentes, Jennifer Brown. 

No dia em que foi detido, o homem de 50 anos não tinha nenhum documento de identificação na sua posse. Quando questionado sobre como se chamava, disse o nome completo, data de nascimento e ainda o número da segurança social. 

Sem prestar grande atenção ao que estava a ser dito pelo inocente, a policia assumiu que o indivíduo que ali estava era o aquele que era procurado. 

Já na esquadra, tirou fotografias e impressões digitais. Documentos que serviriam para provar de que não se tratava da mesma pessoa, afirma a advogada. 

Quando foi presente a tribunal pela primeira vez, em junho de 2017, voltou a repetir todas as informações que já tinham sido dadas: nome, data de nascimento e número de segurança social.

O arguido revelou que na altura em que os crimes tinham sido cometidos por Castleberry - o suspeito procurado pelas autoridades - nem sequer estava em Oahu, no Hawaii. Na verdade, o homem estava a ser tratado numa clínica psiquiátrica a mais de 240 mil quilómetros. 

Nesta altura, o defensor público solicitou que três juízes avaliassem o estado mental do alegado criminoso.

Segundo consta na petição pública, depois de Spriestersbach ter sido transferido para o hospital do estado, onde manteve sempre a versão original dos factos, era chamado de Castleberry e era obrigado a frequentar reuniões de grupo para toxicodependentes, devido à natureza dos alegados crimes. 

Cada vez que o inocente se tentava defender era acusado de ser um indivíduo problemático e quando se tentava defender, a dosagem da medicação era ainda maior. 

Esta foi a realidade da vida do inocente por mais de dois anos. 

Os advogados de defesa, inclusive, tinham sido os presentes no julgamento do real culpado, em 2006 e mesmo assim não conseguiram identificar o inocente.

Só em janeiro de 2020, numa conversa com o seu médico, em que mais uma vez tentou mostrar ser a pessoa errada, o médico se disponibilizou para investigar o caso, pois a saúde mental do paciente em quase nada se tinha alterado.

Nesta altura, deu conta de que, pela primeira vez, Joshua Spriestersbach estaria de facto inocente.

Isto levou a que o hospital reportasse o caso à policia e que novas impressões digitais fossem tiradas, concluindo-se de que não se tratava da mesma pessoa. 

/ IM