O programa “A Lei da Bolha” foi palco de um aceso debate entre Duarte Cordeiro, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, e o comentador residente e deputado socialista Sérgio Sousa Pinto, sobre a aliança do PS com os parceiros à esquerda

Sousa Pinto confessou não saber como é o que os socialistas podem, “neste momento, conversar com PCP e Bloco de Esquerda”, dado que derrubaram o Governo e provocaram a dissolução da Assembleia de República, em virtude do chumbo do Orçamento do Estado.

É preciso fazer o luto da Geringonça. O cadáver nem arrefeceu e nós já estamos a dar-lhe pontapés a ver se ele volta à vida”, afirmou o comentador da TVI24, que também defendeu que, se o PSD ganhar as eleições, o seu partido terá de garantir condições de governabilidade aos sociais-democratas, para não os tornar “reféns do Chega”.

Duarte Cordeiro respondeu, dizendo que o PS não terá “opções à frente” se as “alienar” com base em “desentendimentos do passado”, acrescentando que, na impossibilidade de alcançar uma maioria nas eleições de 30 de janeiro, o partido procurará perceber junto dos partidos à sua esquerda se o resultado das eleições “desbloqueia um processo negocial”.

Nós não temos que diminuir as nossas opções estratégicas, nem devemos partir do pressuposto que não há uma aprendizagem a partir do resultado eleitoral”, atirou o secretário de Estado.

O governante socialista deixou em aberto, também, “um conjunto de outras opções políticas”, que o PS avaliará caso a alternativa à esquerda falhar.

Apesar de concordar com a estratégia flexível adotada pelo seu partido, Sérgio Sousa Pinto confessou estar “farto de ver o Partido Socialista a ‘mendigar à roda’ do PCP e do BE”.

[PCP e Bloco] nunca na história democrática tiveram o poder que nos últimos anos tiveram (…) se calhar já têm poder a mais”, vincou o deputado.

Duarte Cordeiro refutou a acusação, afirmando que o partido não se revê na descrição de Sérgio Sousa Pinto

Ao contrário de ti, a avaliação que nós fazemos destes seis anos é positiva”, elencou o secretário de Estado.

Duarte Cordeiro reconheceu que o PS tem de ter a humildade de compreender que os portugueses “não gostaram” da crise e do chumbo do Orçamento, mas alertou que, em democracia, não se pode “achar que apenas uma parte dela é que deve ser chamada à responsabilidade”.

Nós [PS] procurámos, nos últimos seis anos, que é possível chamar à responsabilidade a parte da democracia que nos tentamos, muitas vezes, ignorar e afastar. E há muitos ganhos nisso”, disse.

Pedro Falardo