Disse um general romano que neste bocado da Ibéria havia um povo que não se deixava governar. Errou. Errou, porque deveria ter dito que «neste canto da Península Ibérica existem políticos que se governam ao mesmo tempo que desgovernam o povo!».

A crise tão anunciada foi inventada, todos o sabem e de nada vale tentar inventar artimanhas.

Quem paga a crise é o povo, mesmo que para isso fique na mais profunda miséria, viva na fome e marginalizado, no desprezo total dos políticos em geral, porque aqueles que ainda vão defendendo o povo, vêm-se também marginalizados e considerados extra-alternância democrática, extremistas e esquerdistas, porque o que conta para eles é o capitalismo, retirando aos cidadãos comuns para viverem na riqueza.

Como no Egipto Antigo, alguns pensam-se Faraós todos poderosos que mantêm o povo escravizado e oprimido, enquanto se entregam a megalomanias e obras dignas da sua «mentalidade e pensamento».

Em Portugal tudo funciona segundo as vontades de umas cabeças mais que doentias que se limitam a pensar «quanto mais melhor para nós», enquanto a olhos vistos a cidadania definha.

Precisavamos de um novo Viriato que corresse com todos esses «cônsuls», com todos esses «tiranetes» e supostos «omniscientes» e desse de novo a palavra ao povo.

O defeito pode também ser nosso, uma vez que consentimos que acusados de corrupção e outros crimes se candidatem e vençam e se mantenham em cargos que deveriam exigir seriedade e honestidade. Pensemos nisto a sério.
Portugal Diário / Jorge Seromenho