O vice-presidente da AHRESP - Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal afirmou que os empresários estão a enfrentar “dificuldades” em assegurar o abastecimento de produtos essenciais devido à greve dos motoristas de matérias perigosas.

A AHRESP acompanha com muita apreensão esta greve, na medida em que representa uma ameaça séria à atividade turística num período particularmente sensível que é o da Páscoa”, afirmou o vice-presidente da AHRESP, Joaquim Ribeiro, numa declaração escrita à agência Lusa.

Devido aos constrangimentos de abastecimento de combustível, “o risco de existir uma fuga de turistas para outros destinos é evidente, com prejuízo para as unidades de alojamento turístico e restauração”, declarou.

O responsável afirmou também que é necessário “considerar as dificuldades que os empresários estão a enfrentar para assegurar o abastecimento de produtos essenciais ao seu negócio, bem como a deslocação dos trabalhadores do setor, com dificuldades para chegar aos seus postos de trabalho”.

Neste cenário, a AHRESP apela ao “consenso entre as partes envolvidas nesta crise, de forma a minimizar o seu impacto num setor essencial à economia nacional”.

A greve dos motoristas de matérias perigosas, que começou às 00:00 de segunda-feira, foi convocada pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), por tempo indeterminado, para reivindicar o reconhecimento da categoria profissional específica.

Gerou-se a corrida aos postos de abastecimento de combustíveisprovocando congestionamento nas vias de trânsito.

Esta terça-feira, os ministros da Administração Interna e do Ambiente e da Transição Energética declararam a “situação de alerta” devido à greve nacional, implementando medidas excecionais para garantir os abastecimentos.

Turismo do Porto e Norte preocupado

O presidente da Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP) disse hoje estar preocupado com a diminuição da mobilidade dos milhares de turistas na região devido à greve dos motoristas de matérias perigosas e pede "entendimentos nas próximas horas".

Cada hora que passa aumenta o nosso problema”, declarou à Lusa o presidente da Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP), Luís Pedro Martins, revelando uma “grande preocupação” com a falta de combustível em várias bombas de gasolina do Norte.

A taxa de ocupação dos hotéis da região Norte para a quadra da Páscoa de 2019 situa-se acima dos 80%, com previsão de lotação esgotada em alguns concelhos e, por ser uma época “muito forte para o turismo”, o presidente da TPNP assume que a “principal preocupação” no território prende-se com a “mobilidade dos turistas”, designadamente com as ‘rent a car’ a não conseguirem abastecer os automóveis alugados pelos visitantes à região Norte.

A situação começa a ficar preocupante, porque os turistas têm reservas de automóveis feitas e as ‘rent a cars’ começam a não conseguir abastecer os próprios carros” e, por outro lado, os turistas que se querem deslocar no território não têm garantias de ter combustível para viajar, explica Luís Pedro Martins.

As preocupações da falta de combustível estendem-se também aos autocarros, táxis e Uber da região, bem como às empresas relacionadas com os ‘transfers’ do aeroporto Sá Carneiro para os alojamentos, acrescenta aquele responsável.