Guardas israelitas dispararam e feriram esta segunda-feira um palestiniano que, sendo surdo, não ouviu as suas ordens para parar num posto de controlo na Cisjordânia ocupada, disse hoje a polícia.

O porta-voz da polícia de Israel Micky Rosenfeld disse que o homem de 60 anos estava a andar na zona da Passagem de Kalandia, no norte de Jerusalém, onde apenas são permitidos veículos.

Rosenfeld indicou que os guardas disseram ao homem para parar, mas que ele continuou a “aproximar-se deles de modo suspeito”.

Então eles dispararam na direção das pernas do homem, ferindo-o moderadamente. Só depois é que os guardas descobriram que o suspeito não respondeu porque “não ouve ou comunica”, disse Rosenfeld.

O incidente ocorre menos de três meses depois de a polícia israelita ter matado um palestiniano de 32 anos com autismo. O homem foi perseguido por forças policiais até um recanto na Cidade Velha de Jerusalém, onde dispararam sobre ele quando se encolheu junto a um caixote do lixo, aparentemente por o confundirem com um agressor.

A atuação da polícia suscitou muitas críticas e apelos para as forças de segurança reverem as suas regras para disparar, tendo em conta as pessoas deficientes.

Palestinianos e organizações de direitos humanos israelitas acusam há muito as forças de segurança do Estado hebreu de utilizarem força excessiva nalguns casos.

A deputada árabe-israelita Heba Yazbak disse que o incidente de hoje expõe a política de “dedo no gatilho” das forças israelitas.

“Primeiro eles disparam e depois verificam”, disse, adiantando que “disparar sobre um palestiniano inocente e surdo é apenas outro exemplo da facilidade com que as forças de segurança israelitas podem causar dano a vidas humanas”.

/ LF