Todos culpados. Um tribunal francês decidiu condenar os 14 acusados pelos atentados no jornal “Charlie Hebdo” e num supermercado judeu, em 2015. Estava também em causa o homicídio de uma agente da polícia municipal.

Nenhum dos autores materiais está vivo, depois de terem sido abatidos pela polícia nos dias dos ataques. Assim, os arguidos, 13 homens e uma mulher, respondiam pelos crimes de participação em organização criminosa e cumplicidade e foram condenados a penas entre 4 anos e prisão perpétua.

Três réus foram julgados à revelia. Entre eles estava Mohamed Belhoucine, que fugiu para a Síria depois de planear os atentados e foi agora condenado a prisão perpétua. A namorada do autor do ataque ao supermercado, também em parte incerta, viu ser-lhe aplicada uma pena de 30 anos. Os procuradores do ministério público referiam-se a esta arguida como “A princesa do estado islâmico”.

Ao longo do processo foram ouvidas 150 testemunhas, entre as quais vários jornalistas do Charlie Hebdo.

O facto de terem escolhido as vítimas precisamente pelo facto de serem jornalistas, membros das forças de segurança ou judeus demonstra claramente o seu desejo de espalhar o terror na Europa ocidental”, disse o presidente do júri.

No dia 7 de janeiro de 2015, os irmãos Kouachi mataram a tiro 12 jornalistas na redação do “Charlie Hebdo”, depois de este ter publicado várias caricaturas de Maomé. Alguns dias depois, Ahmedy Coulibaly assassinou 4 pessoas e uma agente da polícia municipal num ataque a um supermercado judeu.

Nos dias anteriores ao início do julgamento, o jornal republicou os “cartoons” que motivaram os ataques. Um mês depois, um professor de história foi decapitado, nos subúrbios de Paris, por um jovem islâmico, depois de ter mostrado as caricaturas numa aula.

João Faria