Os trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) vão realizar na sexta-feira uma greve de 24 horas para exigir aumentos salariais, podendo afetar serviços como creches e centros de dia, disse hoje à Lusa fonte sindical.

Em causa estão aumentos salariais, o descongelamento das progressões de carreiras, uma diferenciação significativa de níveis remuneratórios nas tabelas salariais e uma contratação coletiva que valorize e reforce os direitos dos trabalhadores.

Em declarações à agência Lusa, Patrícia Rodrigues, do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas, disse que foram decretados serviços mínimos, mas alguns serviços deverão ser afetados pela paralisação de trabalhadores.

“Os serviços mais afetados deverão ser aqueles que não funcionam 24 horas por dia, como os de ação social, as creches, os centros de dia, equipas, entre outros”, adiantou.

A dirigente sindical adiantou que os trabalhadores decidiram avançar para a greve e concentração no Largo Trindade Coelho, em Lisboa, pelas 11:00, “perante a recusa da Mesa da SCML em rever a sua política salarial e tentativa de reduzir direitos consagrados nos Acordos de Empresa”.

“As nossas revindicações prendem-se pela falta de aumentos de salários para todos os trabalhadores e também com a falta de progressões, tendo em conta que as de 2020 não aconteceram, em 2021 também não e presume-se que também ficarão congeladas as da 2022”, salientou.

A dirigente sindical disse que os trabalhadores pretendem manifestar-se também por um reforço de pessoal e melhoria das condições de trabalho.

Patrícia Rodrigues contou que a SCML chegou a admitir a progressão dos trabalhadores, mas mais tarde a comissão negociadora sindical foi surpreendida com a comunicação de que não iria acontecer.

De acordo com a dirigente sindical, a SCML justifica a situação com o agravamento das contas decorrentes da quebra nos jogos sociais e um aumento dos custos de funcionamento.

“A SCML mantém a posição. Diz que não há dinheiro, o Orçamento já está feito e não contempla a capacidade para poder fazer face às atualizações salariais e nem sequer se perspetiva a contratação de pessoal”, contou.

Perante esta situação, realçou Patrícia Rodrigues, os trabalhadores “insatisfeitos” decidiram marcar esta grave para reivindicar os seus direitos.

A Lusa contactou a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que remeteu para mais tarde um comentário à paralisação.

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