A deputada única do Livre, Joacine Katar Moreira, afirmou hoje que está disponível para fazer as cedências que “forem necessárias” para melhorar as relações com os órgãos do partido.

Em declarações aos jornalistas no final do IX Congresso do Livre, a deputada considerou que “esta época irá obviamente ser uma época ainda um bocado agitada”.

No primeiro dia da reunião magna que aconteceu em Lisboa, no sábado, os congressistas decidiram adiar a decisão sobre a retirada da confiança política à deputada, como propôs a Assembleia, numa resolução.

Joacine Katar Moreira considerou que, daqui para a frente, as partes vão necessitar de conversar e encontrar-se “imensamente” e “regularmente”, bem como decidir “o que é preciso alterar, o que se pode melhorar.

Na resolução, a Assembleia queixava-se precisamente de falta de disponibilidade e respostas por parte da deputada aos contactos feitos.

E, especialmente, é preciso que haja cedências de parte a parte, e eu ainda estou disponível para isso”, adiantou, comprometendo-se a fazer as cedências que “forem necessárias para não inviabilizar a confiança dos eleitores depositaram” no Livre.

Mas qualquer cedência da minha parte precisa de ser no que diz respeito ao meu trabalho e precisa de ser obviamente com base na verdade absoluta”, alertou, advogando que “o que não houve foi exatamente isso”.

Aos jornalistas, a deputada eleita em outubro apontou que, "efetivamente, não houve uma cisão" e que também "nunca houve uma unanimidade" dos órgãos face ao seu futuro.

Eu ainda estou aqui, ainda sou deputada única e, especialmente, porque ontem [sábado] houve uma votação que a maioria dos militantes votaram para que eu iniciasse com a nova Assembleia, e com os novos órgãos, efetivamente a que houvesse maneira de eu ser ouvida", sublinhou antes de se ausentar do Congresso, que decorreu em Lisboa.

Direito de resposta de Joacine

Antes, a deputada única do Livre, Joacine Katar Moreira, afirmara em resposta à Assembleia do partido que o Grupo de Contacto (direção) nunca se opôs à sua reserva quanto ao sentido de voto no Orçamento do Estado de 2020.

Joacine Katar Moreira apresentou no sábado ao Congresso do Livre, que hoje termina em Lisboa, documentos com o conjunto de trabalhos desenvolvidos desde o início do seu mandato, há cerca de dois meses, juntamente com um direito de resposta à resolução elaborada pela 42.ª Assembleia do partido, que propunha retirar-lhe a confiança política.

Nesse documento, com 12 páginas, a deputada responde “aos ditos pontos não cumpridos”, enumerados pela Assembleia do Livre ao longo do mesmo número de páginas.

 

Joacine refere que o comunicado divulgado no ‘site’ após a votação em plenário do Orçamento do Estado para 2020 “seguiu o documento do GC [Grupo de Contacto] e do GT Programa, com contribuições dos círculos temáticos e com contribuições individuais dos membros do partido”.

Joacine Katar Moreira alegou que, na reunião com o partido sobre o sentido de voto do Livre no Orçamento do Estado para 2020, não recebeu “conselho contrário” quanto à sua intenção de manter a reserva sobre como iria votar.

Nessa reunião comuniquei que gostaria que o voto fosse apenas conhecido no momento da votação, que decorreria no dia seguinte, durante a tarde. Desta intenção não foi recebido conselho contrário da parte dos membros do GC naquele momento”, alega Joacine Katar Moreira.

A deputada acrescentou que “tampouco” lhe foi dito que seria a “vontade do colégio da direção 'viabilizar o orçamento ao PS'", como alega "ter lido na imprensa”.

 

Joacine Katar Moreira absteve-se na votação na generalidade do OE2020.

Segundo a resolução anteriormente publicada pela 42.ª Assembleia do partido, a deputada descurou, “reiteradamente, a comunicação e envolvimento dos órgãos do partido”, nomeadamente nas negociações com o Governo relativamente ao OE2020, recusando-se a revelar o sentido de voto do Livre até ao momento da votação, “contra o conselho do GC”.

Grupo de Contacto quer resolver impasse

 O Grupo de Contacto (direção) do Livre comprometeu-se hoje em resolver rapidamente o impasse em que o partido se encontra e falou em ”continuidade” de pessoas e ideias, no discurso de encerramento do IX Congresso do Livre.

No encerramento do IX Congresso do partido Livre, em Lisboa, o Grupo de Contacto (GC) eleito, pela lista ‘A’, por intermédio de Isabel Mendes Lopes, sublinhou a importância de resolver “rapidamente este impasse em que o partido se encontra”.

Dos 15 membros que compõem o Grupo de Contacto atual, oito são novos, sendo os restantes já membros do GC anterior, no entanto, o grupo sublinha que a votação “foi clara” e que cabe à assembleia decidir sobre a questão da retirada de confiança política à única deputada eleita do partido, Joacine Katar Moreira.

O congresso votou pela continuidade das pessoas, ideias, e formas de trabalhar, dando um claro voto de confiança e de legitimidade aos novos órgãos”, disse Isabel Mendes Lopes, membro do Grupo de Contacto que entra agora em funções.

A direção admite que os próximos dois anos não serão fáceis, mas acrescenta que “o Livre nunca teve a vida fácil” e que já renasceu “de várias mortes anunciadas”.

O novo Grupo de Contacto relembrou a característica única do Livre, a eleição de candidatos para eleições através de primárias, dizendo que este processo já lhes trouxe “pessoas excecionais”.

O Livre é de facto um partido diferente e que faz as coisas de forma diferente” o que implica, segundo o GC, “uma forma muito mais escrutinada de fazer política”.

As autárquicas assumem-se como um desafio para o Livre, que, segundo o GC agora eleito, continuará “sempre a procurar entendimentos com forças de esquerda e progressistas”

Quanto às presidenciais, o Grupo de Contacto reitera o espelhado na moção estratégica, afirmando que vai apoiar uma candidatura que dê prioridade aos princípios do partido.

“Procuraremos apoiar uma candidatura que à Presidência da República que dê prioridade aos nossos princípios: de liberdades e direitos cívicos; de igualdade e da justiça social; do aprofundamento da democracia em Portugal e da construção de uma democracia europeia; bem como da ecologia, da sustentabilidade e da solidariedade intergeracional”, afirmaram.

O discurso relembrou as bandeiras eleitorais do Livre, entre as quais, a ecologia, o europeísmo e a luta pela igualdade social e assumem a ambição de ser “o partido partilhado do século XXI”.

"Por pressão do Livre, o governo já se comprometeu em tornar este 'Green New Deal' [Novo Pacto Verde] europeu uma das prioridades desta presidência [da Comissão Europeia]. Torna-se imperativo liderar o debate nacional sobre esta responsabilidade do país em 2021 e que tem de ser preparada durante 2020", disse o GC, acrescentando que "Não há ecologia sem ideologia. Não há justiça ambiental sem justiça social".

“As ideias e os princípios do Livre são o seu maior património”, reiterou Isabel Mendes Lopes.

No encerramento do IX Congresso do Livre estiveram presentes o presidente da Federação da Área Urbana de Lisboa, Duarte Cordeiro e o presidente da concelhia de Lisboa, Sérgio Cintra, do PS, o eurodeputado José Gusmão e o deputado municipal Ricardo Moreira, do BE, pelo PEV os dirigentes Joaquim Correia e Sobreda Antunes, José Neto do PCP, e ainda um membro do movimento Cidadãos por Lisboa.

/ BC