Em 2020, a associação Quebrar o Silêncio recebeu 120 pedidos de apoio de homens e rapazes vítimas de violência sexual que procuraram apoio psicológico, refere uma nota divulgada esta terça-feira.
 

Registando-se uma média de 10 casos por mês, este número representa um aumento de 21% nos pedidos de apoio face a 2019. 

Todos os meses chegam até nós cerca de 10 novos casos. São na maioria homens na casa dos 30 anos que sofrem em silêncio as consequências dos abusos de que foram vítimas. Muitos destes é a primeira vez que partilham a sua história. Há um tabu silenciador sobre a realidade dos homens que foram vítimas de abuso. Este silêncio isola as vítimas e impede que procurem o apoio de que necessitam”, refere Ângelo Fernandes, fundador da Quebrar o Silêncio.

Durante o ano de 2020, a associação observou ainda um aumento no número de jovens que procuram ajuda, avança Ângelo Fernandes, presidente da associação.

Apesar de a maioria dos casos serem de homens na casa dos 30 anos, começamos a ver cada vez mais jovens na casa dos 20 anos que procuram apoio. São ainda a minoria, é verdade, mas trata-se de um aumento relevante, pois significa que estamos a chegar a mais sobreviventes”, diz.

Nos quatro anos de atividade, a associação contabilizou 371 homens e rapazes que procuraram apoio.

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Segundo Ângelo Fernandes, a pandemia de covid-19 poderá ter desempenhado um papel fundamental em alguns dos novos casos. Isto porque, para muitos homens o trabalho e as atividades fora de casa são uma forma de gerir o impacto traumático do abuso.

São estratégias que, segundo os próprios homens, os ajudam a manterem-se ocupados e a evitar que a sua mente seja assaltada por flashbacks do abuso, memórias indesejadas, pensamentos cíclicos e sentimentos dolorosos. Os momentos de confinamento impediram os homens de usarem estas estratégias, o que os torna mais vulnerável”, destaca Fernandes.

Em 2020,  a Quebrar o Silêncio informa ainda que foi contactada por 13 mulheres vítimas de violência sexual e por 67 familiares e amigos das vítimas.