A FIGURA: Gulacsi

Tal como no jogo contra Portugal, o guarda-redes do Leipzig voltou a ser a derradeira muralha do castelo de Buda, que na outra margem do Danúbio tem vistas sobre a Arena Puskás. Esta tarde, voltou a fazer um conjunto de excelentes intervenções e adiou na medida do possível o golo dos franceses, num lance em que não teve qualquer responsabilidade. Griezmann desfeiteou-o, mas mais nenhum francês o viria a fazer. Gulacsi está numa excelente forma: um guarda-redes que vale pontos.

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O MOMENTO: minuto 45+2. Loucura em Budapeste

Se Arena Puskás entra em ebulição de cada vez que a Hungria sai para o contra-ataque, o colossal recinto quase levantou voo quando Sallai isolou Fiola e este rematou de pé direito para a estreia da Hungria a marcar neste Euro 2020. Um golo comemorado em euforia ao vivo e recomemorado nas bancadas de cada vez que passou nos ecrãs gigantes do estádio. Haveria este remate de chegar para segurar o empate e estabelecer uma das maiores surpresas do torneio até ao momento.

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OUTROS DESTAQUES:

Griezmann

Se Benzema falhou e Mbappé também, haveria de ser Griezmann a encontrar o caminho da baliza, ao fazer o remate certeiro para a baliza de Gulacsi, aos 66m. O avançado do Barcelona fez o único golo dos franceses, mas não fez uma exibição de encher o olho, procurando por vezes receber a bola fora da área, dada a falta de espaço. Ainda assim, nota positiva.  

Mbappé

Cada vez que tocava na bola tocavam as sirenes da Arena Puskás. A cair sobre os flancos ou a surgir na área, o avançado francês é um perigo à solta. Teve algum desacerto, é certo, na primeira parte, mas colocou em alerta permanente a defensiva húngara. Quando não tentou finalizar, fez por exemplo um delicioso passe de calcanhar para o desperdício de Benzema.

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Fiola

O lateral do MOL Vidi Fehérvár tornou-se num herói nacional quando dois minutos depois dos 45 apareceu na cara de Lloris para com o pé direito fazer o golo com que a Hungria foi a vencer para o intervalo. Foi o delírio na Arena Puskás. As suas missões eram sobretudo defensivas, mas a disponibilidade física deu-lhe capacidade para aproveitar alguns espaços no setor defensivo francês.   

Sallai

Ádám Szalai, o capitão e seu parceiro de frente de ataque, saiu lesionado ainda na primeira parte e o avançado do Friburgo teve assumir o papel de principal referência ofensiva. A velocidade de execução havia de lhe permitir uma assistência notável para Fiola inaugurar o marcador em cima do intervalo. Na segunda parte, coube-lhe o papel protagonizar contra-ataques muitas vezes solitários com mais de meio campo pela frente para correr. Em sacrifício à medida que o jogo se aproximava do fim cumpriu a sua missão.

Sérgio Pires / Arena Puskás, em Budapeste