Com 10,7 milhões de habitantes, aproximadamente a população de Portugal, na Europa Central, a República Checa chegou a ser apontada como um exemplo a seguir na primeira vaga pandémica, mas agora tornou-se em mais um caso preocupante.

Em abril, quando a Europa começava a ver os números de infetados e de mortos a disparar, o ministro checo da Saúde adotou medidas de prevenção e chegou mesmo a criticar a Comissão Europeia e a Organização Mundial de Saúde por desvalorizarem a pandemia no início.

Nessa altura, Adam Vojtec propôs um caminho alternativo no combate à covid-19, que foi bem recebido e acabou por registar sucesso. Desde logo, o governo do país decretou o uso de máscara obrigatório ao ar livre e cedo começou a aliviar as restrições à movimentação da população e à abertura dos negócios. Ajuntamentos, só até mil pessoas.

O país começou o mês de abril com 283 casos por dia, uma média que foi descendo gradualmente, mas foram os meses de maio e junho que se destacaram do resto da Europa, pela positiva. Enquanto muitos outros países não tinham mãos a medir – como por exemplo Itália – a República Checa raramente ultrapassava os 100 casos por dia.

“O fim” da crise pandémica

Perante tal cenário animador, foi no início de julho que o país decidiu comemorar “o fim da crise do coronavírus”. Para isso, foi instalada uma mesa com mais de 500 metros na Ponte Carlos, que divide as margens do rio Vtlava e centenas de checos fizeram questão de marcar presença.

É uma espécie de celebração, para mostrar que não temos medo, que saímos de casa e não vamos ficar presos”, disse na altura Ondrej Kobza, o organizador do evento, em declarações à Reuters.

Mas como se costuma dizer, os checos foram do 8 ao 80. Longe dos tempos em que houve algum motivo para festejar, o país vive agora dias decisivos para perceber se o sistema de saúde vai resistir, ao mais que provável, colapso.

Neste momento, a República Checa conta com milhares de novas infeções todos os dias e estão a ser batidos sucessivos recordes. No dia 15 de outubro foram registadas mais de 5.000 infeções em 24 horas, um número que mais do que duplicou em poucas horas, para o valor mais elevado de sempre: 11.105.

Até ao momento, o país soma mais de 150 mil infetados e mais de 1.200 óbitos devido à pandemia. Quanto aos doentes recuperados, somam-se mais de 63 mil.

Temos três semanas pela frente com a previsão de um aumento do número de doentes com covid-19”, disse no final da semana passada o primeiro-ministro checo, Andrej Babis.

Desde o início da pandemia, Portugal já registou 2.181 mortes e 99.911 casos de infeção, estando agora ativos 38.730 casos.

Novas medidas para conter a pandemia

Para tentar conter a disseminação do vírus, o governo da República Checa anunciou, no início da semana passada, novas medidas restritivas. Em resposta ao número recorde de infeções, o Executivo reuniu-se e decretou o encerramento de escolas, bares e restaurantes.

Desde a passada quarta-feira que os bares, restaurantes e discotecas não abrem portas e o consumo de álcool na rua está proibido.

As escolas estarão fechadas até, pelo menos, dia 2 de novembro. A exceção aplica-se apenas a estabelecimentos de ensino frequentados por filhos de profissionais que estão na linha da frente do combate à pandemia, como médicos, enfermeiros e equipas de resgate.

Agora, os ajuntamentos estão ainda limitados a um máximo de seis pessoas e o uso de máscara ao ar livre volta a ser obrigatório. 

A par disto, todos os teatros, cinemas, museus, galerias, ginásios e piscinas públicas também estão encerrados. Desporto só mesmo ao ar livre com um número limitado a 20 participantes.

Lara Ferin