Os requerimentos apresentados por PSD e CDS-PP que solicitavam a audição no Parlamento, com caráter de urgência, do ministro da Administração Interna, na sequência do relatório sobre os festejos do Sporting, foram rejeitados.

A Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias votou conjuntamente os dois pedidos, numa reunião que decorreu esta manhã, tendo sido rejeitados com voto contra do PS, abstenção do PCP e voto favorável de PSD, CDS-PP, BE e PAN.

No seu requerimento, entregue no Parlamento na segunda-feira, o PSD acusava Eduardo Cabrita de "tresler o relatório" da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) e de se ter desresponsabilizado dos incidentes.

No mesmo sentido, o CDS-PP queria que o ministro fosse ao Parlamento esclarecer as "várias contradições" em torno do relatório, sustentando que "há muito por explicar".

No debate em comissão antes da votação dos requerimentos, o deputado social-democrata Carlos Peixoto considerou que as declarações do ministro na sexta-feira “não têm nada a ver com aquilo que o relatório da IGAI reproduz” e que Eduardo Cabrita deveria ir à comissão "retratar-se".

Também o líder parlamentar do CDS-PP, Telmo Correia, defendeu que chamar Eduardo Cabrita ao Parlamento para dar explicações sobre este assunto seria "o mínimo" a fazer uma vez que a "referência do ministro ao relatório parece não ter nada a ver com o seu conteúdo".

Em sentido contrário, o deputado Francisco Oliveira, do PS, assinalou que o relatório da IGAI e o despacho do ministro são “documentos públicos que podem ser consultados” e acusou os dois partidos de fazerem “mais uma tentativa para confrontar o ministro com casos e casinhos”.

O deputado António Filipe, do PCP, criticou a "absoluta banalização" dos pedidos para audição do ministro da Administração Interna "a propósito de tudo e de nada" e questionou se se justificaria a comissão ter de estender o seu período de funcionamento para uma audição sobre "um facto que ocorreu há dois meses".

Para hoje estava também agendada a votação de um requerimento do Chega que solicitava a audição na Assembleia da República do ministro da Administração Interna e do autarca de Reguengos de Monsaraz, a propósito de um caso de atropelamento ocorrido na sexta-feira na localidade, mas foi adiada por o deputado não estar presente na comissão para apresentar o seu texto.

Agência Lusa / CM