O governo moçambicano fez, esta quinta-feira, um novo balanço e apontou para pelo menos 217 mortos, após a passagem do ciclone Idai. O ministro da Terra e do Ambiente, Celso Correia, revelou que já foram resgatadas três mil pessoas, mas há ainda cerca de 15 mil pessoas, muitas delas em estado grave, que precisam de ser resgatadas.

Estamos numa luta contra o tempo", disse numa conferência de imprensa, acrescentando que as autoridades estão a usar todos os meios possíveis para salvar vidas e a trabalhar 24 horas por dia.

O governante alertou ainda que o número de mortos deverá aumentar, uma vez que as autoridades continuam a encontrar corpos.

A situação ainda é crítica”, afirmou Celso Correia.

Há ainda cerca de 320 pedidos de localização de pessoas desaparecidas em Moçambique, numa lista compilada pela organização de voluntários digitais VOSTPT e disponibilizada às autoridades portuguesas e moçambicanas. 

Entre os desaparecidos estão trinta portugueses, anunciou o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, em Maputo, para onde viajou na última noite.

Há ainda portugueses que não estão localizados: temos na embaixada 30 pedidos de localização", referiu.

Além das operações de busca e resgate de sobreviventes, outra das prioridades agora é entregar alimentos e suplementos para as populações que ficaram isoladas.

O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, anunciou na terça-feira que mais de 200 pessoas morreram e 350 mil “estão em situação de risco”, tendo decretado o estado de emergência nacional.

O país cumpre três dias de luto nacional até sexta-feira.

O Idai, com fortes chuvas e ventos de até 170 quilómetros por hora, atingiu a Beira (centro de Moçambique) na quinta-feira à noite, deixando os cerca de 500 mil residentes na quarta maior cidade do país sem estradas, energia e linhas de comunicação.

A Cruz Vermelha Internacional indicou na terça-feira que pelo menos 400.000 pessoas estão desalojadas na Beira, em consequência do ciclone, considerando que se trata da “pior crise humanitária no país".

Além de Moçambique, o ciclone atingiu também Malaui e Zimbabué. No total, já provocou mais de 300 mortos, segundo balanços provisórios divulgados pelos respetivos governos.

Beatriz Martinho