A Polícia Judiciária, em articulação com o DCIAP, tem em marcha esta manhã uma megaoperação que levou a buscas nas SAD do FC Porto e do Portimonense. O Ministério Público diz que estão em causa apenas as suspeitas de crime de propagação de doença, alteração de análise ou de receituário. A TVI sabe que foram emitidos mandados de busca para as suspeitas de crimes nos negócios que envolvem os dois clubes, mas que estes não foram executados.

Em causa, para a operação de hoje, segundo o Ministério Público, está o teste que Nakajima fez para viajar, em janeiro, quando as autoridades suspeitavam que estava infetado com covid-19.

A ligação entre o FC Porto e o Portimonense

A PJ tem estado atenta a Theodoro Fonseca e aos negócios entre os dois clubes. Há, aliás, um inquérito a decorrer, por suspeitas de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção desportiva.

A investigação nasceu de uma denúncia, em 2018. 

Teodoro Fonseca, que é o maior acionista da SAD do Portimonense, e é também acionista da SAD do Futebol Clube do Porto, mantém uma relação antiga com os dragões: foi o responsável pela transferência de Hulk para o Porto, em 2008, e pelo ingresso do avançado brasileiro no Zenit, da Rússia, quatro anos depois, por 40 milhões de euros. Desse negócio, recebeu uma comissão de 13 milhões, que dividiu, sem nunca ter revelado com quem. 

A relação do empresário brasileiro com o Futebol Clube do Porto foi também um dos alvos do pirata informático Rui Pinto, através de documentos revelados pelo Football Leaks: Theodoro Fonseca foi, durante anos, uma das fontes de liquidez de curto prazo dos dragões. Em 2012, a sua empresa, For Gool, com sede em Londres, emprestou 4,5 milhões de euros ao clube por seis meses; e em 2015 emprestou mais 5 milhões com prazo similar. Em fevereiro de 2017, segundo os mesmos documentos, fez outro empréstimo de curto prazo ao Futebol Clube do Porto, no valor de 1,9 milhões, a reembolsar em seis meses e com um custo de 85 mil euros – o equivalente a um juro anual de 8,8%. Este financiamento aconteceu um mês depois de Teodoro assinar um contrato de intermediação com o Vitória de Guimarães: os vimaranenses acordaram pagar ao empresário 560 mil euros pela ajuda que deu na transferência de Tiquinho Soares para o Porto, por 5,6 milhões de euros.

Todos estes negócios estão também no radar do Fisco, a propósito das comissões milionárias que são pagas em sociedades offshore para fugirem à tributação em Portugal.

Henrique Machado / - notícia atualizada às 13:17