A situação no Hospital de Santa Maria continua difícil de gerir. Esta sexta-feira, havia uma fila de ambulâncias à porta das urgências, com pelo menos 16 veículos, de acordo com uma imagem e o testemunho de quem presenciou a situação, enviados à TVI. Há profissionais a queixarem-se de serem colocados a tratar doentes com covid-19, sem terem experiência suficiente ou formação para o efeito.

O diretor do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN), que engloba o Hospital Polido Valente e o Hospital de Santa Maria, Daniel Ferro, nega que o hospital esteja em rutura ou que haja doentes que, sem atendimento, acabam por desistir e irem embora. Muitos deles encaminhados pela Saúde24 precisamente para fazer o teste à covid-19.

Neste comboio de ambulâncias, todos os casos vão ser resolvidos. Todos os casos vão ser atendidos. Ninguém vai deixar de ser atendido. Se precisar de internamento, será internado. Se precisar de cuidados intensivos, será tratado com cuidados intensivos”, disse Daniel Ferro, esta sexta-feira, à TVI.

O Hospital de Santa Maria está a aumentar a capacidade de atendimento em urgência, com contentores colocados num antigo parque de estacionamento. O diretor do CHLN reconhece um aumento da procura e diz que, dentro de uma semana, as urgências serão reforçadas com 20 novos postos de trabalho.

Há uma adaptação que o hospital está a fazer, seja no internamento, seja nos cuidados intensivos, seja na própria urgência. Esta urgência, que foi dimensionada para atender seis mil casos e que vai ter de passar a atender 14 mil casos, foi recentemente ampliada e dentro de uma semana vai ter mais 20 postos de trabalho. O internamento, que tinha previsto apenas 160 camas, já vai nas 230. Os cuidados intensivos, que estava previsto para 48 camas, já vão em 65 camas.”

O responsável sublinha que o problema do aumento repentino da procura das urgências do hospital está na pandemia, mas não só: “O país teve 3 mil infetados na primeira fase, nós preparámo-nos para seis mil casos. Já tivemos 10 mil e neste momento, temos 14 mil. A preparação, por muito rápida que seja, não consegue acompanhar este ritmo da procura. (…) Este hospital está a dar apoio a três ou quatro hospitais que fecharam a sua urgência. Quando fecham a sua urgência, os doentes vêm parar aqui e normalmente de ambulância. (…) Este aumento da procura é provocado pela situação que estamos a viver no país, mas também pela missão do hospital que é de dar apoio, muitas vezes, a dois, três, quatro hospitais que fecham a sua urgência e esta fica aberta.”

 Hospital Santa Maria garante que dá resposta a doentes que se desloquem às urgências

O Hospital Santa Maria garante resposta a todos os doentes que se deslocam às urgências, disse hoje à Lusa fonte oficial do Centro Hospitalar Lisboa Norte, sublinhando que a urgência não covid-19 está a funcionar normalmente.

A urgência não covid-19 está a funcionar de forma regular, não tem ambulâncias, não tem esperas. Portanto, quem precisar de vir ao hospital deve vir, não se pode quebrar essa confiança entre o doente e o hospital”, que “garante reposta a todos”, afirmou a mesma fonte.

Sobre a longa fila de ambulâncias com doentes que aguardam para ser atendidos na urgência covid-19 do Hospital Santa Maria, afirmou que “é a prova que o hospital continua aberto e a tentar receber toda a gente”.

Temos aqui várias ambulâncias que vêm, por exemplo, da zona Oeste, que está muito pressionada, o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, também fechou ao CODU, e o hospital tem uma urgência dimensionada para responder à população de uma região” e neste momento já extravasa essa fronteira.

A mesma fonte adiantou que, devido ao “aumento exponencial nos últimos tempos”, o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN) tem vindo a adaptar as estruturas em termos de urgência e de internamento para doentes com covid-19.

No final da próxima semana deverá estar já a funcionar o alargamento da urgência, que vai permitir quase duplicar a sua capacidade, passando de 30 para mais de 50 doentes em simultâneo.

A resposta de internamento, quer em Unidade de Cuidados Intensivos, quer em enfermaria, está a ser adaptada também em função daquilo que é a enorme pressão”, sublinhou.

Esta pressão, sustentou, “tem-se avolumado e os mais de 10 mil casos diários começam agora refletir-se e a chegar aos hospitais”.

Rita Rodrigues Luís Varela de Almeida / Notícia atualizada às 18:44