O número de casos de cancro do pâncreas tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos e já se tornou na quinta principal causa de morte associada a patologias cancerosas.

Para assinalar o Dia Mundial do Cancro do Pâncreas, que se comemora esta quinta-feira, Miguel Bispo, da Sociedade Portuguesa de Gastroenterologia, esteve no “Diário da Manhã”, na TVI, onde explicou este crescimento da incidência desta patologia cancerígena, nos últimos 25 anos.

A incidência de cancro no pâncreas tem vindo a aumentar nos últimos anos. Estima-se, que nos últimos 25 anos, a incidência duplicou como causa de morte por cancro do pâncreas”, referiu.

Segundo a Associação de Apoio ao Doente Com Cancro Digestivo, o cancro do pâncreas pode mesmo vir a tornar-se na segunda principal causa de morte por doença cancerígena no mundo.

Cerca de 60% dos casos de cancro do pâncreas só são detetados numa fase avançada da patologia.

Miguel Bispo revelou que, em Portugal, a idade média de diagnóstico anda nos 74 anos.

A incidência tem vindo a aumentar devido ao envelhecido da população. É um tumor que surge, tendencialmente, numa fase mais avançada da vida”, confirmou.

A patologia tem maior incidência sobre as faixas etárias mais velhas, mas existem outros fatores de risco sem ser a idade.

Fumar, excesso de peso, sedentarismo e o álcool são alguns dos hábitos que podem potenciar o surgimento do cancro do pâncreas.

Existe também a prevalência de outros fatores de risco, transversais a diversas doenças oncológicas, como o tabagismo, obesidade, dietas hipercalóricas, sedentarismo e o álcool, associado à pancreatite crónica. São fatores de risco ambientais, e que são modificáveis, que muito têm contribuído para o aumento da incidência do cancro do pâncreas”, lembrou.

Para além de atacar a população mais idosa, o diagnóstico do cancro do pâncreas ocorre, na maioria dos casos, já numa fase avançada da doença.

Os sintomas são variáveis entre pacientes e são facilmente confundidos com outro tipo de problemas físicos, ou até ignorados devido à sua leviandade.

Quando surgem sintomas associados ao cancro do pâncreas, geralmente, a doença já está numa fase avançada. Este é um dos fatores que faz com que o cancro do pâncreas tenha um prognóstico mais reservado. Sintomas ligados ao cancro do pâncreas são muitas vezes inespecíficos e por isso, frequentemente, são desvalorizados pelo doente. É preciso estar atento a uma dor abdominal mais persistente, que muitas vezes irradia para as costas, emagrecimento, cansaço. Os sintomas podem variar consoante a localização do tumor e Não existem métodos de rastreio de seja generalizáveis à população”, esclareceu.

O tratamento oncológico mais utilizado e mais eficaz no tratamento do cancro do pâncreas é a cirurgia, que por vezes é precedida de quimioterapia para facilitar o processo operatório.

O tratamento mais eficaz do cancro do pâncreas é a cirurgia”, culminou.

Os oncologistas temem que a pandemia de covid-19 se reflita num aumento do número de mortes por cancro do pâncreas, à semelhança do que tem vindo a ser registado em outras doenças oncológicas.

A necessidade exclusiva de tratar os doentes infetados pelo novo coronavírus vai atrasar diagnóstico que, tendencialmente, já ocorre numa fase avançada da doença.

Será transversal a todas as doenças oncológicas esta questão [a pandemia de covid-19]. Há um atraso devido à necessidade de tratar os doentes com covid-19. Certamente, isto terá um impacto negativo em termos de diagnóstico”, alertou

A Liga Mundial do Cancro Pancreático criou um vídeo para assinalar este Dia Mundial do Cancro do Pâncreas. A organização alerta para os sintomas levianos desta doença cancerígena, que tantas vezes são ignorados e que podem ser a diferença entre a vida ou morte dos pacientes.

WPCD 2020 Campaign Video from Jay Wilson on Vimeo.

Nuno Mandeiro