Um grupo de cinco polícias britânicos vai enfrentar um processo disciplinar por má conduta depois de terem partilhado, através do Whatsapp e do Signal, mensagens e imagens sexuais violentas sobre o assassinato de Sarah Everard.

Recorde-se que a jovem, de 33 anos, foi raptada, violada e estrangulada até à morte por um agente. Wayne Couzens, de 48 anos, declarou-se culpado e foi condenado a prisão perpétua

De acordo com a BBC, foram abertas duas investigações sobre esta troca de mensagens e imagens. Os agentes pertencem à Polícia Metropolitana de Londres, à polícia de Dorset, de Sussex e ainda à de Avon e Somerset.

Numa das investigações, descobriu-se que um oficial da Polícia Metropolitana de Londres enviou uma "ilustração inapropriada de um ato de violência contra uma mulher" no Whatsapp. 

A imagem era extremamente ofensiva", revela o Gabinete Independente para a Conduta Policial.

Um outro agente, ainda estagiário, vai ser alvo de um processo por ter partilhado a imagem com outros contactos. 

Um oficial da Polícia de Dorset corre mesmo o risco de ser despedido por ter revelado, num grupo do Signal, detalhes de uma entrevista feita a Wayne Couzens, que, na altura, ainda não tinha autorização para ser partilhada. 

Outros dois polícias, de Sussex e de Avon e Somerset, foram acusados de fazer comentários pouco profissionais sobre Couzens e de apoiar outros não apropriados. 

O Gabinete Independente para a Conduta Policial já tinha alertado estes profissionais sobre a partilha de conteúdos ofensivos e impróprios através das redes sociais: "As alegações envolvidas nestas duas investigações, se forem dadas como provadas, podem minar ainda mais a confiança que as pessoas têm na polícia"

O caso de Sarah Everard

O caso remonta a 3 de março, quando Sarah Everard seguia para casa e foi abordada pelo polícia britânico Wayne Couzens que, alegando uma operação relacionada com a covid-19, a algemou e deteve de forma ilícita.

Mais tarde, levou Sarah para uma floresta em Kent, onde a violou e estrangulou até à morte. Seguindo-se a carbonização do cadáver.

corpo de Sarah acabou por ser encontrado uma semana depois, nesse mesmo local, e o agente de autoridade foi acusado pelo sequestro e homicídio da mulher.

No entanto, apesar de haver imagens de videovigilância que mostravam o momento da detenção, apenas meses depois confessou que tinha estado com Sarah e que era o responsável pelo crime que viria a chocar o Mundo e a levar multidões às ruas em protesto. 

Cláudia Évora