Épico, histórico, inesquecível.

Aos 88 minutos, tudo parecia perdido e Santos Borré parecia ter certificado com um só golo a maldição de Jorge Jesus com as finais. Depois das decisões da Liga Europa perdidas – com o Chelsea e Sevilha, em anos consecutivos – o terceiro troféu continental estava ali a minutos de se escapar.

Quatro minutos depois, porém, Jesus teve direito a uma épica ressurreição, como que inspirado pelo Cristo Redentor que na véspera «vestiu» o manto sagrado rubro-negro pontificando lá no alto da «Cidade Maravilhosa».

Hoje tem gol do Gabigol? Tem. Teve dois até. Com o bis mais rápido na história das finais da Libertadores, o avançado ex-Benfica virou a final do avesso, oferecendo a «JJ» a redenção aos 92 minutos.

Desta vez, foi «Muñeco» Gallardo a ajoelhar, perante a hipótese de conquistar a terceira Libertadores (segunda consecutiva) ao serviço do River, que, diga-se, dominou grande parte do jogo.

Os argentinos tiveram a partida de feição logo ao quarto de hora, graças ao golo de Santos Borré. Em vantagem, pressionavam intensamente a meio-campo, com dois, três homens sobre o portador da bola e com o critério de Enzo Pérez (outro ex-Benfica) também no passe surgiam com perigo no contra-ataque beneficiando da velocidade dos seus homens da frente.

Foi assim durante mais de uma hora de jogo. Do lado do Flamengo, houve durante muito tempo pouco mais do que as arrancadas de Gerson e de Bruno Henrique.

Flamengo-River Plate: ficha e o jogo ao minuto

Até que nos minutos finais, o River acabou por ceder fisicamente e o «Mengão» acordou para a realidade: 38 anos depois, a taça não podia escapar-lhe assim entre os dedos.

Éverton Ribeiro e Diego (ex-FC Porto) pegaram na batuta. E o goleador, aparentemente adormecido durante quase todo jogo, apareceu para decidir.

Um, dois. Gabriel vestiu a capa de Gabigol e resolveu escrever história, elevando esta geração à daquele Flamengo de Zico e Júnior (curiosamente, o antigo lateral aparece no fim junto ao relvado ao lado de Petkovic eufórico a cumprimentar Gabriel, expulso antes do apito final, tal como Palacios).

Primeiro, apareceu a desviar uma assistência em esforço de De Arrascaeta, depois, quando já todos se preparavam para o prolongamento, aproveitou um desentendimento entre os centrais argentinos para disparar de pé esquerdo para fazer a alegria de uma nação imensa, de mais de 40 milhões de torcedores.

Caiu do céu? Talvez. Pouco importa. Hoje, ninguém dorme no Brasil inteiro. Amanhã, possivelmente também não, sobretudo se o Palmeiras não vencer e entregar também o Brasileirão ao Fla.

Por agora, desde o maior estádio da América do Sul festeja-se a Libertadores!

Esta não foi para o River. Vai para o Rio. Abençoada por Jesus, agora Nosso Senhor das Américas.

Sérgio Pires