O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, vai anunciar o apoio a um segundo referendo sobre o Brexit.

"Estamos comprometidos em também apresentar ou apoiar uma emenda a favor de um voto popular para impedir um Brexit conservador prejudicial seja imposto no país", segundo declarações constantes no discurso que Corbyn fará ao seu grupo parlamentar, aqui citadas pela Reuters. 

O Labour já havia dito que apoiaria um referendo como último recurso se não conseguisse eleição legislativas antecipadas ou fazer mudanças no acordo de saída negociado por May com Bruxelas.

A ideia tem sido repetidamente recusada por May, que diz estar empenhada em conseguir alterações à solução para a fronteira da Irlanda do Norte, designada por backstop, no Acordo de Saída negociado com Bruxelas. 

O partido Trabalhista pretende apresentar a sua própria emenda, onde defende que o governo britânico negoceie uma "união aduaneira permanente e abrangente com a UE" e "introduzir legislação primária para dar efeito estatutário a este mandato de negociação".

A primeira-ministra, Theresa May, vai atualizar na terça-feira os deputados sobre o processo do Brexit e submeter uma declaração, que será debatida e votada na quarta-feira, a qual será sujeita a propostas de alteração não vinculativas.

Um grande número de deputados britânicos, sobretudo eurocéticos, teme que o país fique indefinidamente numa união aduaneira com a UE, e defendem a substituição do backstop por "providências alternativas".

Theresa May afirmou no domingo que o chamado "voto significativo" será repetido antes de 12 de março, apenas 17 dias antes da data de saída, a 29 de março.

Na semana passada, o líder dos trabalhistas tinha desafiado a primeira-ministra a mudar de estratégia de forma a evitar uma saída da União Europeia sem acordo. Corbyn defendeu uma união aduaneira com o bloco europeu e voltou a defender um referendo sobre o processo de saída da união. Um dia antes, foi Theresa May a deslocar-se a Bruxelas. A Comissão, pela voz de Jean-Claude Juncker, faz saber que segue este longo processo com pessimismo.

Hoje, segunda-feira, a primeira-ministra britânica, Theresa May, defendeu em Sharm el-Sheikh (Egito), que um adiamento da saída do Reino Unido da União Europeia (UE) "não resolve o problema". O relógio, esse, continua a contar.