Um pé no pódio, outro a colocar Vinícius em jogo, e a única coisa que havia para definir neste Benfica-Sporting decidiu-se por aí: um pé. O de Matheus Nunes, que assim inclinou um dérbi aberto, com ocasiões e que esteve muito, muito perto de terminar de outra maneira.

Talvez até fosse justo para um leão que acaba no quarto lugar, numa luta incrível com o Sp. Braga e que terminou com a diferença de um pé, a mesma, lá está, com que Vinícius, Taremi e Pizzi terminam na lista de goleadores: 18 golos para cada, menos minutos para o brasileiro.

Diferença mínima no marcador, diferença ínfima entre goleadores, mas muitas diferenças no jogo destas duas equipas que se despedem de um campeonato que teve um dérbi fantasma, porque assim ele é quando não tem o que faz, de facto, o dérbi ser dérbi: a emoção e paixão de benfiquistas e sportinguistas.

O dérbi foi aberto, teve oportunidades, teve um Benfica cínico na estratégia e um leão que dominou a bola, mas nem sempre dominou o jogo. O Sporting entrou e meteu-se no terreno contrário, mas, aos poucos, isso foi-se invertendo.  

Terminaria o primeiro tempo com mais posse de bola, mais duelos ganhos, melhor acerto no passe. Mas atrás no marcador e nas ocasiões. O Benfica foi matreiro. Primeiro deixou o Sporting sentir-se confortável e depois pressionou-o alto. Tão alto que Gabriel e Weigl encostavam em Wendel e Matheus Nunes, com a linha avançada em cima dos defesas e guarda-redes leonino.

O Sporting tinha a bola, sim, mas o Benfica roubava-a e fazia ataques rápidos. Isso explicava a percentagem da posse em contraponto com o número de remates. O remate de Pizzi para enorme defesa de Max é um dos melhores exemplos, o outro do 21 da Luz, de pé esquerdo, também.

O 1-0 chegaria de canto, porém. Seferovic desequilibrava um dérbi frente a um leão que perdera Coates no aquecimento, altura na defesa e perdera o posicionamento do suíço, após toque de Rúben Dias. Daí até final, o Sporting viu pouco a baliza de Odysseas e o intervalo chegava com a sensação de supremacia encarnada, apesar dos itens estatísticos.

Reação e queda do pódio

O Sporting precisava de conseguir sair da teia encarnada, Plata dava lugar a Tiago Tomás e isso teria consequências mais à frente. Antes, porém, duas ocasiões claras de golo para o Benfica: Max evitou a primeira e Cervi atirou para longe a segunda.

Depois disso, dois miúdos sacudiram o jogo. Nuno Mendes pela esquerda foi o primeiro. E não foi só pela ocasião que criou e obrigou Odysseas a defesa difícil. Foi por ali que o leão começou a encontrar caminho para a baliza rival, mas seria pelo meio que chegaria ao golo.

Quando Sporar empatou após passe de Tiago Tomás, o segundo dos ‘miúdos’, já o jogo estava bem aberto numa velha ideia: se o leão tinha de atacar, também se sujeitava ao risco de ter mais espaço nas costas. Seferovic não aproveitou por pouco.

Com espaço, uma diagonal de Sporar foi entendida por Tomás que serviu o esloveno para o 1-1, encheu o Sporting de confiança e quando Ristovski atirou contra Tomás Tavares parecia que o dérbi ia ser verde até final.

Mas depois, entram outras contas. E essas também têm de ser para aqui chamadas. O Benfica tem um banco que o Sporting não possui e, veja-se, lançou Rafa e um suplente que viria tornar-se no melhor marcador do campeonato… por um pé, o mesmo que decidiu este 309.º dérbi e atirou o leão para fora do pódio.

Luís Pedro Ferreira / Estádio da Luz, Lisboa