Um professor português que está atualmente a ensinar numa vila timorense recebe em julho o Prémio de Ensino Secundário, atribuído pela Sociedade Europeia da Física (EPS), em reconhecimento do seu trabalho de promoção da física.

Estou muito orgulhoso. Foi totalmente inesperado. Quando me disseram que tinha sido nomeado pela Sociedade Portuguesa de Física já foi um grande orgulho”, disse Jorge do Carmo António, em declarações à Lusa.

“Não me passava pela cabeça, nem nos melhores sonhos. Não sabia que tinha sido nomeado e agora ter vencido, entre candidatos de tantos países, é um grande orgulho”, contou o professor.

Jorge do Carmo Antonio, 52 anos, é natural da aldeia de Água das Casas, em Fontes, Abrantes e é professor de física desde 1992, estando atualmente a lecionar no Centro de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE) da vila timorense de Same.

O Prémio de Ensino Secundário é atribuído cada dois anos a um professor secundário que tem feito um contributo para a profissão, especialmente que tenha tido aplicação em vários países, sendo as nomeações feitas pelas Sociedade Nacionais de Física.

Entre os aspetos reconhecidos estão questões como atividades que estimulem o interesse dos alunos para estudar física ou que ajudem a melhorar o seu acesso à disciplina.

A EPS é uma organização não-governamental dedicada à promoção da física e de físicos na Europa, integrando atualmente sociedades nacionais de física de 42 países e mais de 4.200 membros individuais.

Jorge António, que receberá o galardão numa cerimónia em Budapeste a 04 de julho, disse que a sua nomeação pela SPF lhe foi comunicada quando estava a preparar-se para vir lecionar para Timor-Leste.

Questionado sobre o que terá motivado a sua escolha, o professor disse que se pode dever ao seu “trabalho global de divulgação da importância da física”, com ações de vários tipos para “fazer chegar a física a todos os públicos”.

Trabalho em Portugal, em conferências internacionais e, agora, em Timor-Leste, onde, disse, apesar das dificuldades de ensinar em Same, a sul da capital, o trabalho de promoção da importância da física continua.

Penso que também deve ter pesado o facto de estar em Timor”, disse.

“Aqui a minha motivação é grande. Tenho 200 alunos e os alunos aqui de Same conseguiram, a nível nacional, o 1.º e 3.º lugar. Trabalhamos intensamente, mas é muito gratificante porque os alunos querem muito aprender”, disse.

Entre as atividades que está a preparar conta-se, para o dia da Criança, um jogo da Tabela Periódica.

Os Centros de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE), onde lecionam professores portugueses e timorenses, são um dos principais projetos de cooperação portuguesa, canalizada nomeadamente através do Ministério da Educação, com Timor-Leste.

O projeto conta atualmente com 140 professores portugueses e cerca de 200 timorenses, abrangendo 8.295 alunos nos vários níveis de escolaridade.            

Nove das escolas têm já turmas do nível secundário.