O presidente do Conselho de Administração da Caixa geral de Depósitos (CGD), António Domingues, apresentou a demissão ao Governo, informou, este domingo, o Ministério das Finanças em comunicado.

O Governo indica que foi informado pelo Presidente do Conselho Fiscal da Caixa Geral de Depósitos, decisão que lamenta.

No comunicado, o Ministério das Finanças acrescenta que a renúncia ao cargo de António Domingues só produzirá efeitos no final do mês de dezembro.

Brevemente "será designada, para apreciação por parte do Single Supervisory Mechanism, uma personalidade para o exercício de funções como Presidente do CA da CGD, que dê continuidade aos planos de negócios e de recapitalização já aprovados", lê-se, ainda, no documento enviado às redações.

António Domingues apresentou a demissão - que considerou logo irreversível - na passada sexta-feira, um dia depois de ter sido aprovada na Assembleia da República uma alteração ao Orçamento do Estado que obriga os gestores da CGD a apresentarem a declaração de rendimentos e património ao Tribunal Constitucional. ao que a TVI apurou, foi precisamente essa a razão da demissão. A TVI sabe que o gestor não chegou a contestar a notificação do Palácio Ratton.

A TVI contactou a Caixa Geral de Depósitos e o Banco de Portugal, mas nenhuma das instituições quis fazer qualquer comentário.

À polémica em torno da entrega das declarações de rendimentos pela nova administração da CGD, que António Domingues se recusava a cumprir, juntou-se, em seguida, uma nova polémica relacionada com a eventualidade de Domingues estar na posse de informação privilegiada sobre a CGD quando participou, como convidado, em três reuniões com a Comissão Europeia para debater a recapitalização do banco.

As primeiras reações partidárias surgiram de dois parceiros do PS na maioria parlamentar que suporta o Governo de António Costa, PCP e Bloco de Esquerda, reservando-se a oposição, PSD e CDS, para a manhã de segunda-feira.

A deputada bloquista Mariana Mortágua considerou que a demissão "já só peca por tardia" porque "quem não reconhece a lei não serve" para o banco público.

Já o dirigente comunista Jorge Pires disse desejar que a CGD ajude a economia portuguesa, sem atender aos "falsos argumentos" de CDS-PP e, sobretudo, PSD que "escondem o objetivo da privatização" do banco público.

Também as duas centrais sindicais, CGTP e UGT, se pronunciaram sobre a demissão na Caixa.

Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP-IN, disse não ter ficado surpreendido com a demissão do presidente da Caixa e considerou que esta “novela”, da qual todos saem com a "imagem chamuscada", já devia ter terminado há muito tempo.

“Esta é uma responsabilidade, acima de tudo, do dr. António Domingues e dos elementos que estavam nomeados para a administração, mas caberá ao Governo, também no princípio da boa-fé, atuar já com toda a celeridade no sentido de tapar este buraco”, afirmou à agência Lusa Carlos Silva, secretário-geral da UGT.

O coordenador da Comissão de Trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos, Jorge Canadelo, alertou que não pode haver um vazio no banco e pediu que seja encontrada rapidamente uma solução após a demissão de hoje.