O Observatório SKA, organização radioastronómica internacional da qual Portugal faz parte, foi lançado esta quinta-feira e terá como missão a construção e operacionalização de uma rede de dois radiotelescópios na África do Sul e Austrália, anunciou a entidade.

Juntas, as duas infraestruturas são apontadas como o maior radiotelescópio do mundo, que irá permitir rastrear mil milhões de galáxias.

Este é um momento histórico para a radioastronomia", disse, citada num comunicado do observatório, a presidente do Conselho da organização, Catherine Cesarsky.

O órgão, que junta representantes dos seis Estados-Membros, incluindo Portugal, e de países observadores, reuniu-se hoje pela primeira vez.

Um dos radiotelescópios, o SKA (Square Kilometre Array) da África do Sul, terá 197 antenas de 15 metros de diâmetro, incorporando 64 de um outro radiotelescópio, o MeerKAT, inaugurado em 2018 e operado pelo Observatório de Radioastronomia da África do Sul.

O outro radiotelescópio, na Austrália, será composto por 131.072 antenas de dois metros de altura.

Segundo informações adicionais dadas à Lusa pela agência espacial portuguesa Portugal Space, que gere a participação nacional no projeto, o plano de construção da rede de radiotelescópios do Observatório SKA será revisto em junho, mas a estimativa é que a construção se inicie entre julho e setembro deste ano.

Há um ano, o coordenador da infraestrutura nacional de investigação Engage SKA, Domingos Barbosa, indicou que a construção da rede SKA iria começar em janeiro de 2021.

De acordo com o comunicado hoje divulgado, a construção da rede de radiotelescópios demorará oito anos, mas "as primeiras oportunidades científicas" de uso poderão iniciar-se antes, em 2025.

O observatório tem como países-membros Portugal, África do Sul, Austrália, Itália, Reino Unido e Holanda.

Para o ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, Manuel Heitor, citado no comunicado do Observatório SKA, a participação nacional "abre novas oportunidades para jovens, investigadores, profissionais da astronomia e amadores em Portugal estarem envolvidos numa das mais revolucionárias iniciativas de cooperação científica a nível global".

O presidente interino da Portugal Space, Ricardo Conde, salientou, em declarações enviadas à Lusa, a oportunidade de "um pequeno país como Portugal" de "fazer parte de algo disruptivo como membro fundador", assim como as potencialidades científicas, de negócio e de desenvolvimento de tecnologia para astrónomos e empresas nacionais.

A primeira reunião do Conselho do Observatório SKA, hoje realizada, segue-se à assinatura, em março de 2019, em Roma, Itália, da convenção que estabelece o observatório e ratificada posteriormente pelos seis países-membros.

O órgão é composto por representantes dos Estados-Membros do observatório, bem como dos países com estatuto de observador que desejam aderir à organização.

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