O candidato à liderança do PSD Paulo Rangel acusou o Partido Socialista (PS), e em particular o António Costa, como o grande responsável da crise política que o país enfrenta atualmente. Rangel disse ainda que a geringonça foi uma solução governativa "frágil, insegura e contraditória". 

Importa sublinhar que a responsabilidade desta crise política é atribuível por inteiro ao Partido Socialista e em particular ao seu secretário-geral António Costa", afirmou em conferência de imprensa na sequência do chumbo na generalidade do Orçamento do Estado para 2022.

O eurodeputado disse ainda que PS não tem, nem vai ter, "condições para Governar Portugal nos próximos anos" e que todos os votos neste partido serão "inúteis". 

Rangel garantiu que se for eleito presidente do PSD "está fora de questão" dar a mão ao PS e a António Costa para "fazer renascer um bloco central de partidos e interesses".

A implosão da liderança contra natura entre o PS e a esquerda radical do PCP e do Bloco de Esquerda, feita com estrondo e diante de todos, mostra bem que o PS não tem nem terá mais condições para Governar Portugal nos próximos anos."

 

O voto no PS e em António Costa é inútil à esquerda porque não há entendimento possível depois do divórcio litigioso entre o Bloco e o PCP. E é inútil à direita, porque nós, se eu for líder do PSD, recusaremos sempre essa solução má para a democracia, essa solução sempre coxa que é o Bloco Central". 

O candidato à liderança do PSD defendeu a realização de eleições legislativas em 20 ou 27 de fevereiro, considerando que seria “um prazo racional, razoável e rápido”.

Foi também nesta conferência de imprensa, que anunciou que o ex-ministro Miguel Poiares Maduro aceitou coordenar as bases do programa eleitoral e o economista Fernando Alexandre será o responsável pela área económica.

"Não é próprio de candidato a primeiro-ministro" a forma como Rio tratou Marcelo

Rangel criticou a forma como o presidente do partido e seu adversário nas diretas, Rui Rio, se referiu ao Presidente da República, dizendo que “não é próprio de candidato a primeiro-ministro”.

Verbero a forma como tratou o Presidente da República, não acho que seja próprio de um candidato a primeiro-ministro, mas isso ele saberá."

Questionado sobre a sua audiência com Marcelo Rebelo de Sousa, na terça-feira, o eurodeputado reiterou ter-se tratado de uma audiência "de cortesia", que pediu para lhe explicar os motivos da sua candidatura, "prática corrente de candidatos à liderança dos partidos".

Sobre o ‘timing’ em que foi recebido, quando no Parlamento já decorria o debate na generalidade do Orçamento, Rangel defendeu que "se fosse depois da crise política, talvez até tivesse um significado maior".

Acerca das críticas de Rio, que ligou esta audiência a uma tentativa de condicionar o calendário eleitoral em função das diretas do PSD, Rangel defendeu que "a marcação das eleições é competência exclusiva do Presidente da República".

Questionado se entende que Rui Rio se está a vitimizar, Rangel disse querer deixar esse juízo “aos eleitores portugueses e aos militantes do PSD”.

Cláudia Évora / com Lusa - Notícia atualizada às 18:55