A Ordem dos Médicos demorou 12 anos a condenar um médico que esteve envolvido na morte de Maria da Assunção, uma criança que nasceu com graves lesões cerebrais que acabaram por lhe custar a vida aos seis anos de idade.

O médico recebeu uma pena de 10 dias de suspensão por má prática médica. Contudo, recorreu e ainda não cumpriu a qualquer dia de suspensão.

Francisco O’neill da Silva Marques, pai de Maria de Assunção, explica que apesar da dor de ter esperado 12 anos por uma pena de 10 dias de suspensão para o médico envolvido, que ainda não foi cumprida, o pior é mesmo nunca mais voltar a ver a filha. O pai da menor acusa o sistema e os tribunais de não funcionarem e explica que viu no jornalismo de investigação a última esperança.

O pior é nunca mais ver a minha filha”, desabafa Francisco O’neill da Silva Marques.

 

José Manuel Silva, era bastonário da Ordem dos Médicos aquando da morte de Maria da Assunção, explica que existiam atrasos relativamente às queixas que surgiam por falta de recursos humanos. O especialista explica que ainda existe um atraso, de centenas de processos, o que continua a gerar morosidade no tratamento das queixas.

Não havia capacidade humana para responder às queixas na Ordem dos Médicos”, diz o ex-bastonário da Ordem dos Médicos.

José Manuel Silva avança que já foram suspensos 16 médicos em Portugal e houve ainda uma expulsão na Ordem dos Médicos.

Foram condenados a penas de suspensão 16 médicos e houve uma expulsão”, lembra José Manuel Silva.

 

Ana Rita Câmara, advogada dos pais de Maria da Assunção, deixa duras críticas ao procurador do Ministério Público que ficou encarregado pelo processo. A advogada acusa o procurador de fazer uma investigação muito ligeira e de não ter tido a diligência que se impunha neste processo.

O procurador não teve a diligência que se impunha no processo", acusa a advogada da família da vítima.

 

Francisco O’neill da Silva Marques enumerou alguns dos erros cabais no processo do Ministério Público aberto para investigar a morte da filha, Maria da Assunção. O pai da vítima explica que no processo a mãe da criança teria sido ouvida pelo procurador, algo que nunca aconteceu e diz ainda que a data da morte de Maria da Assunção estava errada.

Até a data de falecimento da minha filha estava errada [no processo]”, refere Francisco O’neill da Silva Marques.

 

O pai de Maria da Assunção revelou que o juiz Eurico Reis esteve no funeral da menor e como tal “logicamente conhece o caso”. Eurico Reis nega essa memória e garante que este é um dos casos que revela algumas lacunas no “sistema judiciário”.

O senhor juiz esteve no funeral da minha filha. O senhor conhece o caso!”, reitera o pai de Maria da Assunção.

 

José Manuel Silva explica que este caso demonstra que a Ordem dos Médicos não se rege corporativamente. Isto porque, apesar do Ministério Público não ter condenado o médico envolvido, a Ordem condenou o médico a uma suspensão de dez dias

Se há exemplos de que a Ordem dos Médicos não age corporativamente este é um deles”, concluí o ex-bastonário da Ordem dos Médicos.

 

Francisco O’neill da Silva Marques, pai de Maria da Assunção, realça que o médico condenado, se tiver dignidade, tem de cumprir a suspensão de dez dias, pena dada pela Ordem dos Médicos. O pai da vítima diz ainda que ainda não decidiu se vai avançar com uma ação cível.

Este senhor tem de cumprir a pena! Tenha dignidade!”, acrescenta o pai de Maria da Assunção.