No seu habitual espaço de comentário às quintas-feiras, Manuela Ferreira leite analisou a comunicação de António Costa sobre as novas medidas restritivas e afirmou que o primeiro-ministro não conseguiu arriscar e criou incompatibilidades na luta contra a pandemia.

Claramente, passou a imagem de um Governo que não conseguiu arriscar e, ao não arriscar, deixa fazer tudo. Foi uma comunicação sobre as novas restrições cheia de incompatibilidades, os restaurantes estão abertos, mas eu não posso sair de casa?”, questionou a comentadora.

Ferreira Leite adiantou que estava à espera que António Costa conduzisse o país com uma comunicação “clara, rica e esclarecedora sobre o que se pode ou não fazer”.

Ao invés, “devo dizer que tive dificuldade em ouvir uma conferência de imprensa que durou uma hora e que chegou ao fim sem se conseguir fazer um resumo”.

Quando se quer agradar a gregos e troianos, acaba-se numa coisa que não é nada. É mau que não haja uma mensagem clara, não encontramos ninguém que saiba exatamente quais são as regras”, afirma.

A aprovação do Orçamento do Estado foi outro tema em cima da mesa. Para Manuela Ferreira Leite, não é estranho existirem dezenas e centenas de propostas de alteração. Isto porque, explica a comentadora, a maioria dos deputados formaliza propostas correspondentes às ansiedades dos distritos que representam.

Sabem que é um formalismo, mas fica registado em ata, desempenhando o papel que lhes era esperado”, disse.

Ainda assim, o fato de o PCP entregar dezenas de propostas de alteração 24 horas após o OE2021 ter sido aprovado - com temas que vão desde o “aumento de impostos para os ricos” às nacionalizações - mostra que o partido não tem qualquer  “visão daquilo que pode ser o Orçamento do Estado”.

Isto está a passar-se num orçamento que é chamado de orçamento das nossas vidas, que é feito para combater uma situação especial”, afirma.

Para Ferreira Leite, este tipo de propostas de alteração são ou “para marcar posição e recuar depois, ou então não são e alguém vai ter de passar o Orçamento”

Eu acho que esta é a fase onde todos vão deixar cair a máscara, explicando porque é que aceitam ou não o Orçamento”, afirma a comentadora, explicando que o Governo pode ser obrigado a passar um documento “desfigurado”, levando o país para uma situação de insustentabilidade.

A noite eleitoral norte-americana - que continua longa - não passou ao lado da comentadora que revelou ter “roído muito as unhas quando Trump estava à frente”.

Não porque quisesse que Biden vencesse, mas antes que Trump caísse”, explicou Ferreira Leite, sublinhando que as posições diplomáticas, ambientais e multiculturais de Donald Trump são prejudiciais para a Europa.

Ainda assim, o espectáculo das eleições é “muito mobilizador”, até porque o colégio eleitoral dá a habitantes de pequenos estados a possibilidade de ter uma última palavra a dizer sobre quem governa o seu país.

/ HCL