Festas ilegais, ajuntamentos sem cuidados de ética respiratória, comportamentos irresponsáveis ou um sentimento de invencibilidade são alguns dos comportamentos e motivações que têm sido conectadas com as faixas etárias mais jovens desde o início da pandemia de covid-19.

Os jovens têm sido vistos como uma das principais redes de propagação do novo coronavírus, mas será mesmo verdade? Ou estão apenas a ser o bode expiatório de uma sociedade pouco cumpridora?

A psicóloga Margarida Cordo explica que associado ao aumento do número de casos de covid-19 entre os jovens está um sentimento de “omnipotência” e um desejo de “normalidade”.

A especialista diz que é natural os jovens pensarem que não terão sintomatologia grave devido ao SARS-CoV-2 e explica que as idades entre os 20 e 29 anos têm uma necessidade intrínseca de normalidade social.

Estas motivações são sustentadas por “uma perspetiva do desespero”, uma vez que as faixas etárias mais jovens estão a ser das mais afetadas a nível económico, como por exemplo pelo desemprego.

Há uma perspetiva do desespero” entre os jovens, refere.

 

O Instituto Português do Desporto e da Juventude lançou duas campanhas, “Ser Jovem Em Casa” e “Ser ativo em Casa”, direcionadas aos jovens com o objetivo de evitar a propagação da covid-19 entre esta faixa etária e prevenir o sedentarismo

Sónia Paixão, vice-presidente do instituto, acredita que a “esmagadora maioria dos jovens” tem cumprido as medidas de contenção e que estão empenhados em diminuir o risco de contágio.

Os jovens estão cada vez mais conscientes. A esmagadora maioria dos jovens tem vindo a cumprir” as recomendações, afirma.

 

Vasco Ricoca Peixoto, médico de saúde pública, reiterou que o risco da covid-19 nos jovens não é nulo e lembra que a taxa de internamentos nesta faixa etária não é tão reduzida como se pensa.

No entanto, o clínico realça que o número de óbitos e internamentos em unidades de cuidados intensivos entre os jovens é pouco expressivo.

O risco nunca é zero”, lembra.

 

Vitalie Certan é personal trainer e já esteve infetado pelo SARS-CoV-2.

O ex-doente covid-19 explica que o primeiro sintoma que teve foi febre, tendo pensado que se tratava de uma gripe.

Vitalie Certan disse ainda que passados dois dias ficou sem paladar e olfato.

O personal trainer revelou que é “lutador profissional” e que durante cinco dias foi “impossível” treinar derivado dos sintomas.

Não consegui treinar durante cinco dias. Era impossível”, explica.

 

“Hora da Verdade”: O uso de máscara reduz os níveis de oxigénio no sangue?

Na “Hora da Verdade Covid-19” é uma parceria entre a TVI e o jornal Observador que verifica a veracidade das teorias mais recentes que circulam na sociedade.

Esta segunda-feira, procurámos verificar se é verdade que utilizar máscara diminui os níveis de oxigénio e provoca falta de ar, como relatam algumas publicações nas redes sociais.

A jornalista do Observador Carla Jorge de Carvalho explica que a teoria está errada.

A publicação refere uma máscara do modelo N95 que é recomendada apenas para profissionais de saúde, em cenário hospitalar, e nunca para crianças.

Os especialistas com quem o Observador falou garantem que os sintomas descritos estão relacionados com a pressão exercida pela máscara e não por falta de oxigénio no sangue, hipoxia ou falta de ar.

Nuno Mandeiro