Uma escola da cidade norte-americana de Miami está a desencorajar os professores de tomarem a vacina contra a covid-19, dizendo que os funcionários que forem inoculados vão ser proibidos de interagir com os cerca de 300 alunos.

Segundo a BBC, o estabelecimento em causa é a Centner Academy, cuja direção disse que as pessoas que ainda não levaram a vacina estão a sofrer um "impacto negativo" junto das pessoas já inoculadas. Entretanto, essas alegações foram desmentidas pelo pessoal da escola não vacinado, mas a escola já informou mesmo os pais que não vai empregar mais ninguém que tenha sido vacinado.

A Centner Academy é um colégio privado, onde uma mensalidade pode ir dos 12 mil aos 25 mil euros, consoante o grau de ensino dos estudantes.

Uma das responsáveis do estabelecimento, Leila Centner, terá dito mesmo aos pais que a política da escola passa a ser pela não contratação de profissionais vacinados.

A decisão terá sido comunicada aos pais por carta, e o New York Times revelou que os professores que tenham sido vacinados passam a ter de notificar a escola.

Não podemos permitir que pessoas vacinadas recentemente estejam perto dos nossos estudantes até termos mais informação", terá dito Leila Centner.

Entre as razões apresentadas, a cofundadora da escola disse que houve três casos de mulheres que tiveram o ciclo menstrual "afetado por estarem em contacto com pessoas vacinadas".

Antes desta polémica, tanto Leila Centner como David Centner, o marido, ficaram conhecidos por se autoproclamarem "advogados da liberdade de saúde". Nas redes sociais, a mulher partilhou de forma constante conteúdos antivacina, que pode não se ficar apenas pelas vacinas contra a covid-19.

No website da escola existe um artigo chamado "Liberdade Médica de Vacinas Obrigatórias", no qual refere que "a quantidade de riscos desconhecidos associados às vacinas pode fazer [os pais] questionarem-se seriamente se esta política deve ser mantida", referindo-se à vacinação obrigatória.

No segundo parágrafo desse mesmo artigo é partilhada uma das crenças mais comuns entre aqueles que desacreditam as vacinas: o autismo.

Refere a página da escola que "nos últimos 20 anos, nos Estados Unidos, as estatísticas provam que as crianças estão a ter o dobro de problemas e de défice de atenção, o dobro das taxas de asma, o triplo dos diabetes e um aumento no autismo em todos os estados a uma taxa de 600%". Ora, nenhuma destas teorias foi provada.

Em resposta às perguntas de vários meios de comunicação norte-americanos, a porta-voz da escola disse que não existem 100% de certezas sobre a segurança da vacina.

Este episódio ocorre poucos dias depois de os Estados Unidos terem conseguido administrar a dose número 200 milhões da vacina contra a covid-19, sendo que toda a população com mais de 16 anos está agora elegível para ser vacinada. Essa população inclui, naturalmente, professores e funcionários escolares, grupo que noutros países, como Portugal, foi considerado prioritário na vacinação.

António Guimarães