O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, reagiu à condenação de Derek Chauvin, afirmando que foi dado "um raro, mas gigantesco passo na luta pela justiça na América".

O júri do julgamento declarou esta terça-feira, por unanimidade, o ex-polícia Derek Chauvin como culpado de todas as acusações de homicídio do afro-americano George Floyd.

Foi um homicídio em plena luz do dia e arrancou as vendas para o mundo inteiro ver o racismo sistémico. A nódoa na alma da nossa sociedade", começou por referir o líder norte-americano.

Chauvin foi acusado de homicídio em segundo grau, punível com até 40 anos de prisão; homicídio em terceiro grau, com pena máxima de 25 anos, e homicídio em segundo grau, com pena de prisão de até 10 anos.

Tanto Joe Biden como Kamala Harris mostraram-se satisfeitos com o veredicto.

Hoje, sentimos um suspiro de alívio. Ainda assim, não consegue aliviar a dor. Uma medida na justiça não é igual à justiça", disse a vice-presidente dos EUA, acrescentando que "este veredicto é um passo em frente e a verdade é que ainda temos muito trabalho a fazer. Ainda temos de reformular o sistema".

"Ninguém deve estar acima da lei", destacou também Biden, considerando que o veredicto de hoje envia essa mensagem, mas não é suficiente: "Não podemos parar aqui. A fim de promover mudanças e reformas reais, podemos e devemos fazer mais para reduzir a probabilidade de tragédias como esta ocorrerem".

Como não tem antecedentes criminais, Chauvin só poderá ser condenado a um máximo de 12 anos e meio de prisão por cada uma das duas primeiras acusações e a quatro anos de prisão pela terceira.

Chauvin declarou-se inocente de todas as acusações.

Os 12 jurados - seis brancos, quatro afro-americanos e dois “multirraciais” - começaram a deliberar na segunda-feira após as alegações finais do Ministério Público e da Defesa, às 20:00 locais (02:00 de hoje em Lisboa), tendo anunciado, seis horas e meia depois, que tinham tomado uma decisão unânime.

O anúncio de resultado do julgamento provocou um aumento da tensão nas ruas, especialmente de Minneapolis, onde estão mais de 3.000 polícias em alerta.

A morte de George Floyd, aos 46 anos, aconteceu em 25 de maio de 2020, na sequência da sua detenção pela polícia de Minneapolis por suspeita de tentar pagar a conta do supermercado com uma nota falsa de 20 dólares (cerca de 16 euros).

Rafaela Laja