Depois de ter estado em constante subida desde o início de fevereiro, o índice de transmissibilidade (Rt) apresentado pela Direção-Geral da Saúde (DGS) voltou a descer. De sexta-feira para segunda-feira passou de 1,05 para 1, e esta quarta-feira o valor vai já nos 0,98 a nível nacional, o que faz com que Portugal volte a ficar abaixo do valor máximo definido pelo Governo (1) para reconsiderar o desconfinamento.

Henrique Oliveira, professor de matemática no Insituto Superior Técnico, afirmou na TVI24 que a subida recente se deveu sobretudo à Páscoa, mas que o valor real do Rt já está abaixo de 1 há algum tempo.

Como o cálculo é feito com um atraso enorme, os matemáticos andam sempre atrás dos números. Há mais de uma semana que o Rt estava a descer abaixo de 1", referiu o especialista.

Este novo valor, explica o matemático, reflete já os efeitos da Páscoa e do desconfinamento que se lhe seguiu (a 5 de abril). O efeito de um Rt abaixo de um pode ser verificado, explica Henrique Oliveira, perante a redução da média semanal de casos de uma semana para a outra, algo que se verificou na semana passada em relação à anterior.

Isso já aconteceu, o efeito da Páscoa já não é preocupante, já está esquecido, correu bem", afirma, ainda que ressalve alguma preocupação "moderada" com o crescimento do índice nos dias que se seguiram ao fim de semana de Páscoa.

Para o especialista, o facto de a vacinação contra a covid-19 estar a decorrer a bom ritmo, o que resulta numa "taxa de imunização muito alta", protege as pessoas mais vulneráveis, os idosos.

Henrique Oliveira não acredita numa quarta vaga, mas refere que, mesmo que ela exista, nunca será tão grave como a de janeiro, mês em que Portugal foi dos piores exemplos do mundo na gestão da pandemia, chegando a ter mais de 16 mil casos por dia.

Perante a situação controlada, o Governo decidiu dar novo passo na direção do desconfinamento, passando para a fase 3, que já prevê a abertura de restaurantes no interior e o regresso às aulas dos alunos dos ensinos secundário e superior (essa é a realidade para quase todo o país, menos 10 concelhos).

Revelando-se otimista, Henrique Oliveira alerta que a fase atual deve continuar a ser de "alguma contenção", pedindo que continue a ser respeitada a norma da máscara.

Espero que as pessoas não entrem numa euforia total. Temos de evitar ajuntamentos prolongados, almoçaradas. Ainda estamos numa fase de contenção, mas estamos num muito bom caminho", reiterou.

António Guimarães