O Hospital de São João, no Porto, admite que as avarias de um aparelho de radioterapia poderão ter encurtado o tempo de vida de doentes com cancro. Este assumir das consequências surge numa resposta enviada pela administração do hospital em dezembro de 2018 à Entidade Reguladora da Saúde, após a denúncia de um doente que teve de esperar cinco meses e meio para iniciar tratamentos de radioterapia, em vez de 15 dias, o prazo máximo previsto por lei como tempo de resposta desde a indicação médica para começar a radioterapia.

Segundo informação a que a TSF teve acesso, o hospital explica que "o serviço de radioterapia possui dois aparelhos de tratamento", um deles "com 20 anos, já descontinuado pela empresa mas ainda em funcionamento, tratando 60 doentes por dia e que será desativado com a entrada em funcionamento do novo aparelho". Há ainda outro aparelho, com 14 anos, que tem dado, segundo o São João, "muitos problemas".

O regulador critica o hospital, que deveria ter encontrado com mais brevidade um procedimento alternativo. "Não é aceitável que o utente não tenha iniciado o tratamento de radioterapia, no tempo considerado aceitável, o que se revela contraditório com a necessidade de prestação tempestiva de cuidados de saúde".