Alek Sigley, um australiano de 29 anos a viver e estudar na Coreia do Norte, está incontactável desde a passada terça-feira e a família teme que tenha sido detido pelo regime norte-coreano. 

Segundo o The Guardian, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Austrália já confirmou que está a tentar uma "clarificação urgente" do paradeiro de Sigley e que está a prestar apoio consular à família do jovem.

Num comunicado divulgado esta quinta-feira, a família de Sigley confirma que não consegue entrar em contacto com o jovem há 48 horas e que não pode confirmar ou desmentir qualquer detenção. "A situação é que Alek não manteve contacto digital com amigos e família desde a manhã de terça-feira, em horário australiano, o que não é habitual para ele. Alek é um académico e viajante asiático, nascido na Austrália, que visitou e viveu em vários países. Fala mandarim e coreano fluentemente, assim como algum japonês", refere a nota dos familiares. 

O australiano estava a frequentar nesta altura um mestrado em literatura coreana na universidade Kim Il-sung, em Pyongyang, e gere uma empresa que organiza viagens na Coreia do Norte para estudantes estrangeiros. Natural de Perth, filho de mãe chinesa e pai australiano, viajou pela primeira vez para a Coreia do Norte em 2012 e ter-se-á casado com uma japonesa em Pyongyang no ano passado. Julga-se que a mulher não vive neste momento com Sigley na capital norte-coreana. 

É raro que estudantes estrangeiros consigam frequentar universidades norte-coreanas, mas alguns deslocam-se para o país ao abrigo de programas de intercâmbio com instituições chinesas de ensino superior. Sigley ter-se-á interessado na Coreia do Norte depois de conhecer alguns cidadãos nacionais enquanto estudava na China. 

Ao Guardian, Leonid Petrov, um perito em Coreia do Norte da Australian National University, e que é amigo de Sigley, contou que falou pela última vez com ele há três dias. "O Skype dele está ativo, consigo ver a luz verde, mas não responde às minhas mensagens".

No passado mês de março, num artigo escrito para o Guardian, Sigley descrevia-se como "o único australiano a viver na Coreia do Norte": "Como residente de há muito tempo com um visto de estudante, tenho acesso quase sem precedentes a Pyongyang", escreveu. "Sou livre para andar pela cidade, sem alguém a acompanhar-me".

Vários estrangeiros já foram detidos na Coreia do Norte, por entrarem ilegalmente no país ou por atos descritos como "hostis" ao regime liderado por Kim Jong-un. O caso mais recente e mediático foi o do norte-americano Otto Warmbier, que foi detido em 2016 por roubar um cartaz de propaganda durante uma excursão. Warmbier esteve preso durante 17 meses e morreu dias depois de ter regressado aos Estados Unidos, em coma. A Coreia do Norte nega ter infligido maus-tratos ao jovem, mas os pais garentem que a morte de Otto foi resultado de tortura.