Jean-Claude Romand, o falso médico que tinha sido condenado em França a pena de prisão perpétua depois de ter assassinado a mulher, filhos e pais, foi libertado após cumprir 26 anos de cadeia. 

Segundo o Le Monde, Romand, que tem 65 anos, foi libertado na noite de 27 para 28 de junho e fica em liberdade condicional. Irá instalar-se agora na abadia de Fontgombault, onde vivem 60 monges beneditinos e que acolhe pessoas que desejem fazer um retiro espiritual.

Nos próximos dois anos, o francês terá de usar pulseira eletrónica e estará sob vigilância: durante um período de dez anos, estará sempre sujeito a medidas de controlo. 

A história de Romand deu um livro - O Adversário, de Emmanuel Carrère - e inspirou o enredo de um filme. Romand passou 18 anos a fingir ser médico e investigador na Organização Mundial de Saúde (OMS), mas as mentiras começaram logo quando ainda era estudante e não fez o exame de primeiro ano na escola de medicina de Lyon, em 1974. Pôde repetir a prova nos 12 anos seguintes, mas nunca o fez. Disse à família e amigos que tinha concluído o curso e fingiu ter arranjado trabalho na OMS, com sede em Genebra, quando na verdade passava os dias a conduzir na fronteira entre França e a Suíça.

Em 1980, casou-se com a namorada e tiveram dois filhos. Inicialmente, Romand vivia do dinheiro da venda do apartamento de estudante, que os pais lhe tinham comprado em Lyon, mas quando ficou sem recursos começou a enganar amigos e familiares, aconselhando-os a investirem em esquemas a que dizia ter acesso por ser funcionário de uma organização das Nações Unidas, mas ficando com o dinheiro que lhe era entregue. Ocasionalmente, dizia à famíia que precisava de viajar em trabalho e dormia em estações de serviço nas imediações.

Em janeiro de 1993, quando algumas das pessoas que burlou começaram a pedir-lhe o dinheiro de volta, sentiu-se encurralado, sobretudo quando um amigo da família ficou com suspeitas ao descobrir que o nome de Romand não constava na lista de funcionários da OMS.

Matou a mulher em casa, com um rolo da massa, e baleou os filhos com uma espingarda. No mesmo dia, viajou cerca de 80 quilómetros até casa dos pais, assassinando-os, tal como ao cão. Voltou a casa, tomou comprimidos para dormir e incendiou a moradia em Prevessin-Moens, perto da fronteira com a Suíça. Mas acabou por ser salvo pelos bombeiros e detido, tendo depois confessado os crimes. Foi condenado em 1996.

Apesar de ter sido condenado a prisão perpétua, depois de cumprir 22 anos pôde recorrer e pedir para ser libertado. A justiça concedeu-lhe liberdade condicional, retirando-lhe o direito de fazer qualquer comunicação mediática sobre o caso que levou à sua condenação.