Steve Duarte, o jihadista que tem nacionalidade portuguesa e luxemburguesa, disse em entrevista a uma televisão curda que está arrependido de se ter juntado ao Estado Islâmico. O luso-luxemburguês diz que quer regressar à Europa e que está pronto para enfrentar uma pena de prisão, para depois poder continuar a cuidar dos filhos. 

Apontado como um dos carrascos do Estado Isâmico - será um dos que surgem num vídeo divulgado pelo Estado Islâmico a executar "espiões" - Steve Duarte, de 32 anos, é agora prisioneiro das Forças Democráticas Sírias, lideradas por curdos. 

Numa entrevista à Rudaw, concedida na prisão, Duarte diz que quer começar uma vida nova no Luxemburgo, acrescentando que não renunciará ao islamismo, mas que rejeita a interpretação feita do Corão pelo Estado Islâmico.

O jihadista conta que foi para a Síria em 2014, com o objetivo de estudar religião, depois de entrar em contacto com um sírio, que identifica como  Abo Aqil, no Facebook. Terá sido ele a encaminhá-lo para as fileiras do Estado Islâmico. Esteve num campo de treino militar durante dois meses, mas pediu para não combater e acabou por ficar a tratar da propaganda do Daesh. 

Antes de se casar, ficou imobilizado durante cerca de seis meses, por ter sido atingido por estilhaços na coluna vertebral. A mulher com quem casou é uma emigrante francesa de ascendência africana e tem dois filhos, um rapaz de três anos e uma rapariga com dois.

Garante que disse desde o início que não queria fazer "trabalho militar" e que agora quer apenas voltar para a família e regressar ao trabalho. "Não quero voltar ao Estado Islâmico. Quero voltar para o Luxemburgo e começar um trabalho novo", sublinhou. "Ver os meus filhos, cuidar deles e vê-los crescer".

Admite que se converteu ao Islão e não vai renunciar às crenças islâmicas, apeasr de saber que há uma grande discrepância entre o que defende o Corão e os ditames do Estado Islâmico. "Quero ensinar aos meus filhos e mulher a religião islâmica"

Respondendo à questão sobre se está arrependido não hesita: "Sim. Agora estou a pensar em ir para o Luxemburgo e tenho de ir para a prisão lá. Cometi um erro e se este erro merece prisão, estou pronto a ir para a prisão". Anda acrescenta: "O que quero agora? Quero sair da prisão e ter outra vez uma vida normal, tomar conta dos meus filhos, ensinar ao meu filho e à minha filha como é a vida, como distinguir o que está certo e o que está errado, ensinar-lhes a base da religião e avisá-los para não cometerem os erros que eu cometi. Quero uma vida nova", conclui.