Nos vastos campos de Yakutia, uma região siberiana habitualmente conhecida como o Reino do Inverno, a ausência de gelo e a subida das temperaturas estão a provocar mudanças drásticas na paisagem.

Como consequência do aquecimento do subsolo permanentemente congelado, estão a formar-se cavidades alagadiças na terra que libertam dióxido de carbono e metano para a atmosfera. Estas deformações tornam-se hotspots de substâncias e de materiais orgânicos preservados na terra durante milénios.

 

O aquecimento global está a escrever um novo capítulo na Sibéria e basta olhar para os terrenos de cultivo para perceber como a população apenas tem uma escolha: adaptar-se.

Está tudo a mudar e as pessoas estão a tentar perceber como se podem adaptar”, disse ao jornal The New York Times Afanasiy V. Kudrin, um agricultor siberiano que tem presenciado as alterações da paisagem nos últimos anos. “Precisávamos que o frio regressasse, mas continua a aquecer e a aquecer”.

Os efeitos das alterações climáticas obrigaram os moradores a depositar madeira dentro dos vales para evitar a formação de lagos capazes de fazer colapsar as casas em redor.

Nas zonas de maior latitude, as temperaturas têm registado aumentos de três a cinco graus Celcius, o que levou a comunidade científica a alertar que, por cada grau que a Terra aquecer, o degelo poderá libertar o equivalente a seis anos de emissões de carvão, petróleo e de gases de efeito estufa.

Dizem que o aquecimento global já começou. Por isso não sei o que vai acontecer, mas eu deixo o problema para os meus filhos resolverem”, disse um habitante de Yakutia, entrevistado pela BBC.

Yakutia é uma das regiões que mais inspira preocupação, especialmente porque o território está sustentado por uma camada de solo permanentemente congelada. Há 20 anos, a zona era plana e chegou mesmo a ter um aeroporto.

Segundo o National Snow and Ice Data Center, o gelo no oceano Ártico atingiu este verão o segundo nível mais baixo desde que há registo. 

A extensão do oceano coberto de gelo no Pólo Norte, e que se estende mais a sul para o Alasca, Canadá, Gronelândia e Rússia, atingiu o seu ponto mais baixo no verão, de 3,7 milhões de quilómetros quadrados na semana passada, antes de começar a crescer novamente.

A região foi atingida por fortes incêndios durante o verão. De acordo com o serviço europeu Copernicus, as chamas provocaram emissões de dióxido de carbono (CO2) sem precedentes (244 megatoneladas entre janeiro e agosto), lançando gases de efeito estufa que aumentaram o aquecimento global.

Redação / MS