Inês de Medeiros (PS) arrancou a segunda vitória em Almada, depois de a conquistado em 2017 à CDU, com mais um mandato do que há quatro anos (agora são 5).

Almada, que foi um bastião da CDU de 1976 a 2017, será liderada por um executivo camarário socialista pela segunda vez consecutiva. No entanto, se nas últimas autárquicas a diferença entre as duas forças políticas foi de pouco mais do que 400 votos, desta vez o PS, de acordo com dados finais, obtém 39,87 %, contra 29,69 % da CDU. Com uma diferença de mais de 7 mil votos.

A CDU, com Maria das Dores Meira, teve nestas eleições mais votos do que há quatro anos (21.006 contra os 20.497 votos de 2017), mantendo os quatro vereadores.

 

 

Em terceiro lugar, a coligação PSD/CDS-PP/A/MPT/PPM arrecadou 10,71 % dos votos e perdeu um vereador, seguida do Bloco de Esquerda, com 6,83 %, que mantém um mandato na Câmara.

Chega (5,63 %), PAN (2,29 %) e Iniciativa Liberal (1,97 %) não elegeram vereadores em Almada.

Num discurso pautado por gritos de vitória, Medeiros destacou que as eleições são sempre momentos altos da nossa democracia. "Hoje a democracia falou em Almada e, por isso, estamos todos de parabéns", afirmou, saudando todos aqueles que se candidataram. 

"As minhas palavras vão para todos os almadenses, muito obrigado por esta noite e por estes quatro anos. Sabíamos que Almada tinha de reencontrar a sua centralidade na Área Metropolitana de Lisboa. Hoje, é a terra do futuro da AML", afirma, antes de ser interrompida por cânticos a pedir que salte. "Eu já salto", responde.

"A partir de amanhã nós todos estamos aqui a trabalhar para todos os almadenses. Todos, sem excepção, independentemente do partido em que votaram", termina.

Mais do que uma guerra entre partidos e personalidades - a CDU apostou as fichas em Maria das Dores Meira, que se candidatou a Almada depois de esgotar os mandatos em Setúbal -, a campanha eleitoral ficou marcada em certos momentos por rivalidades entre cidades.

Num comício realizado no Pragal, Inês de Medeiros chegou a usar um estudo da Bloom Consulting para comparar as diferenças entre Almada, “onde se vive cada vez melhor” e Setúbal que, de acordo com a reeleita, enfrenta um grande retrocesso.

Do lado da CDU, Dores Meira utilizou o tema da habitação para atacar a recandidata do PS, acusando-a de criar "fabulações".

“Fico pasmada com a lata da candidata do PS. De facto, só de uma grande actriz”, disse a candidata comunista, numa reação à afirmação feita por Medeiros de que os avanços na área da habitação "em quatro anos, foi gigantesco".

A campanha da CDU ficou, no entanto, marcada por uma gafe quando, por lapso, elencou o que foi feito pela CDU em Almada “para usufruto de todos os setubalenses”.

Peço desculpa, almadenses. Peço muita desculpa, mas isto ainda não está no sítio”, disse logo a seguir.

Em abril, na apresentação da candidatura de Maria das Dores Meira, Jerónimo de Sousa sublinhou o "valor indesmentível de uma obra feita em Setúbal” e afirmou-se convicto de que “o trabalho, a honestidade e a competência têm hora marcada para voltar a marcar presença na autarquia de Almada”. “Quatro anos de gestão PS sobraram para ver como Almada andou para trás na sua vida cultural e popular, nas condições de trabalho e nos direitos dos trabalhadores da autarquia", disse, na altura.

Agora, na primeira aparição depois de se conhecerem os primeiros resultados das autárquicas e perante mais uma incapacidade em concretizar o volte-face almadense, Jerónimo de Sousa assumiu, numa perspetiva global, que o resultado "ficou aquém dos objetivos colocados".

Henrique Magalhães Claudino / Notícia atualizada às 1:43