O Governo espanhol anunciou, esta quarta-feira, que vai passar a exigir a apresentação de um teste negativo à covid-19 a todos os viajantes que desejem visitar o país e que sejam provenientes de países considerados de alto risco de transmissão. A prova deverá ser realizada 72 horas antes da chegada.

O critério seguido pelo governo espanhol para definir as zonas de risco para a União Europeia e o espaço Schengen será o do Centro Europeu para o Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês). Neste momento, e com a Europa em plena segunda vaga, quase todos os países do continente são considerados de risco, incluindo Portugal. A única exceção na Europa é mesmo a Finlândia.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros fez saber que já confirmou junto das autoridades espanholas que esta nova regra não se aplica à fronteira terrestre.

Mapa de risco do ECDC - 11 de novembro

A medida foi anunciada pelo Ministério da Saúde depois de uma reunião entre o ministro Salvador Illa e os membros do Conselho Interterritorial do Sistema Nacional de Saúde. A medida entra em vigor a partir de 23 de novembro.

Fora da União Europeia e do espaço Schengen o critério utilizado vai ser o do número de casos acumulados por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias.

Todos os passageiros de zonas de risco terão de preencher um formulário de controlo sanitário antes de entrarem em Espanha. À chegada ao país será solicitado um teste PCR acreditado que deverá estar escrito em espanhol ou inglês. Será também aceite a versão digital do teste original.

A medida está a gerar alguma discussão em Espanha, até porque há quem duvide da sua eficácia. Em conversa com o jornal El País, o membro da Sociedade Espanhola de Epidemiologia, Pedro Gullón, afirma que um dos objetivos é evitar os contágios durante os voos, mas que não é possível assegurar que a pessoa não está a incubar o vírus, podendo assim testar negativo e mais tarde contagiar terceiros.

Seria mais útil se, além do teste PCR, se impusesse uma quarentena de dez dias na chegada ao destino", acescenta.

António Guimarães / Atualizada às 20:07