Foi revelada, esta quarta-feira, uma versão preliminar do Acordo da COP26, que exorta os países a aumentarem as ambições de reduzir as emissões de gases de efeito estufa até ao final de 2022.

Este acordo, ainda em negociação na Cimeira do Clima, em Glasgow, representa as linhas orientadoras para o futuro, no combate o aquecimento global.

A versão inicial, divulgada pela presidência britânica, reconhece que o mundo já está sofrer com o impacto das alterações climáticas e reitera o apelo aos países que cortem cerca de metade de suas emissões de gases com efeito de estufa (GEE) até 2030. 

Tal implica que os países só emitam para a atmosfera a quantidade de GEE que pode ser absorvida novamente por meios naturais ou artificiais.

Destacando o desafio de cumprir essas metas, o documento “expressa o alarme e a preocupação de que as atividades humanas tenham causado cerca de 1,1 graus Celsius de aquecimento global até ao momento e que os impactos já sejam sentidos em todas as regiões”.

A proposta ressalva a preocupação de especialistas e ativistas climáticos de que existe um grande fosso entre as atuais promessas nacionais e os cortes necessários para evitar que o mundo caminhe para uma crise climática.

Ora, a meta passa por garantir que esse aquecimento não é igual ou superior a dois graus celsius, o que teria consequências devastadoras para o planeta.

Contudo, o texto não indica acordos específicos sobre os três objetivos principais que a ONU estabeleceu para as negociações sobre o clima.

O projeto também reconhece “com pesar” que os países não cumpriram sua promessa de fornecer 100 mil milhões de dólares por ano em ajuda financeira até 2020 para ajudar as nações pobres com o aquecimento global.

A cimeira do clima, até sexta-feira em Glasgow, pretende mobilizar os países do mundo a agir para que as temperaturas não subam além de 1,5 graus celsius em relação à época pré-industrial.

Recorde-se que, há seis anos, o Acordo de Paris estabeleceu como meta limitar o aumento da temperatura média global do planeta a entre 1,5 e 2 graus celsius acima dos valores da época pré-industrial.

Apesar dos compromissos assumidos, as concentrações de gases com efeito de estufa atingiram níveis recorde em 2020, mesmo com a desaceleração económica provocada pela pandemia de covid-19, segundo a ONU, que estima que, ao atual ritmo de emissões, as temperaturas serão no final do século superiores em 2,7 ºC.

 

Rafaela Laja