A mulher do ex-banqueiro João Rendeiro foi, esta quarta-feira, detida pela Polícia Judiciária (PJ), na Quinta Patino, em Cascais.

A TVI sabe que Maria de Jesus Rendeiro vai passar esta noite na prisão de Tires e deverá ser presente, na quinta-feira, a um juiz de instrução para aplicação de medidas de coação. O Ministério Público alega perigo de fuga e deverá pedir a apreensão do passaporte.

De acordo com uma nota a que a TVI teve acesso, Maria de Jesus Rendeiro foi condenada pagar mil euros por "atuação excecionalmente grave" e incumprimento dos deveres de fiel depositária dos quadros arrestados ao ex-banqueiro, considerando o tribunal que esta sabia das falsificações e do desvio das obras.

Em face de todo o exposto, condeno Maria de Jesus da Silva de Matos Rendeiro, fiel depositária dos objetos apreendidos a 11.11.2010, pela sua atuação excecionalmente grave e desconforme aos deveres a que ficou adstrita, no pagamento de multa processual em montante equivalente ao máximo legal de 10 (dez) unidades de conta”, lê-se na decisão da juíza Tânia Loureiro Gomes datada de 2 de novembro.

O tribunal atribui-lhe ainda o encargo das custas judiciais, “sendo a taxa de justiça no valor de 5 (cinco) unidades de conta”. O atual valor da unidade de conta é de 102 euros.

A mulher de Rendeiro é suspeita não só pela alegada conivência nos esquemas de branqueamento com negócios imobiliários mas também por, enquanto fiel depositária, ter permitido que o marido vendesse obras de arte que estavam apreendidas pela justiça, trocando as mesmas por outras que terão sido falsificadas, enganando a mesma justiça.

Na última sexta-feira, dia 29 de outubro, escusou-se a prestar declarações em audiência em tribunal, sobre o paradeiro das obras de arte, alegando não ter “condições psicológicas” para o fazer.

Esta detenção acontece no dia em que foram realizadas dezenas de buscas por parte da Polícia Judiciária ao ex-motorista de Rendeiro, Florêncio de Almeida, suspeito do crime de branqueamento de capitais.

Também o pai de Florêncio, com o mesmo nome, presidente da ANTRAL e conhecido como "o rei dos táxis", está a ser investigado no mesmo processo, que corre termos no DCIAP, e pelo mesmo crime - branqueamento -, por outro negócio de que há  suspeitas de ser simulado: a compra de uma casa dos Rendeiro, em 2015, por um valor abaixo dos preços de mercado e o facto de a ter revendido três anos depois por cinco vezes mais. Com isto, o presidente da ANTRAL e o filho ganharam mais de 520 mil euros.

No total, foram executados 14 mandados de busca: 11 buscas domiciliárias e 3 buscas não domiciliárias. O objetivo era recolher provas relacionadas com as práticas criminosas sob investigação.

A ação desenvolveu-se em Lisboa, Oeiras, Estoril e Alcáçovas, contando com a participação de cerca de cinquenta inspetores e peritos da PJ.

Estão em causa suspeitas da prática dos crimes de branqueamento, falsificação e descaminho, relacionados com o acervo de obras de arte.

João Rendeiro, antigo presidente do BPP, que em 28 de setembro foi condenado a três anos e seis meses de prisão efetiva num processo por burla qualificada, está em parte incerta, fugido à justiça.

Henrique Machado / CE - Notícia atualizada às 12:25