O fumo provocado pelos incêndios florestais que continuam a devastar a Austrália vai dar pelo menos uma volta ao mundo e regressar aos céus sobre o país. 

Uma equipa de cientistas da NASA está a estudar as nuvens de fumo, com recurso a satélites, e constatou que no dia 8 de janeiro o fumo já tinha viajado por metade do planeta e atravessado a América do Sul. 

 

Além de afetar a qualidade do ar em vários países, os fumos dos incêndios fizeram mesmo mudar de cor os glaciares da Nova Zelândia, que se tornaram castanhos, com o gelo a fazer lembrar dunas de areia. 

As "condições sem precedentes" de calor combinado com falta de humidade tem levado também a vários episódios de tempestades que começam devido ao calor, cinzas, fumo e material incandescente, causadas pelas nuvens de cumulonimbus flammagenitus, que provocam chuva, granizo, trovoada ou tornados.

Por causa destes fenómenos, o fumo dos incêndios consegue atingir a estratosfera - o recorde de altitude foram 17,7 quilómetros - e, assim, viajar milhares e milhares de quilómetros afetando as condições atmosféricas por todo o mundo. 

À CNN, Nicolas Bellouin, investigador na área do clima da universidade de Reading, explicou que não é incomum que as partículas emitidas pelos incêndios viagem à volta do mundo, mas admitiu que a elevada concentração de partículas originada pelos fogos da Austrália é menos habitual e pode afetar a qualidade do ar em países como o Chile e Argentina. "Se começarmos a ver todos os anos incêndios deste nível na Austrália, ou a cada dois anos, os impactos na qualidade do ar e no clima serão preocupantes e percetíveis", frisou.

Os incêndios na Austrália já fizeram 28 mortos e, só no Estado de Nova Gales do Sul, as chamas já destruíram mais de três mil casas. Estima-se que também tenham morrido mil milhões de animais e várias espécies estão em risco. 

/ BC